12 dezembro 2020

Angola - #8.6

A última etapa no nosso tour pela cidade de Huambo seria pelo bairro de Benfica, localizado "na margem" norte da linha de comboio.
Na altura em construção, ou em recuperação, a linha dos CFB. A entrada para os estaleiros, mesmo junto à estação, era um portal chinês.
"Sejam bem vindos"" Será o que ali diz? ;)


Seguimos em frente e entramos no bairro.
Bem junto às antigas moradias dos funcionários ferroviários, o registo de uma espécie de feira, muito colorida, com a venda de produtos muito diversos.


Mesmo ao lado, um tanque de lavagem comunitário, cheio de atividade.
Nem a feira, nem este tanque/fonte existem atualmente. 
O que se mantém, "visível" por trás de todas as crianças por ali brincavam, um campo de futebol pelado.


Quando comecei a olhar para o imenso conjunto de fotografias que tinha destes lugares pensei que nunca seria possível identificá-los e localizá-los. 
Mas estava enganado. Gastando algum tempo, cruzando diferentes informações, de diferentes fontes, chega-se lá.

Huambo evoluiu muito, como aquelas crianças que, 10 anos passados, já não serão crianças ;)
Os pormenores e cores destes registos continuam a atrair-me o olhar...



Arco e pau. Uma atividade que eu, com a idade destes miúdos, também adorava.
No meu caso não era um pau, mas antes um ferro/arame, com uma curva na ponta.
Conduzir aquela roda pelas ruas, sobe passeio, desce passeio, entre as pedras...
Grande memórias.


Instante da vida diária, às portas do António Mongueno do Cavalo Branco...


A passagem pelas antigas casas dos pais dos meus anfitriões, enquanto jovenzinhos...





Típico da região, grandes formações graníticas que "brotam" no cimo dos morros.
Aqui, com uma fonte de água, onde a população se abastecia, em bacias e baldes bem coloridos.
Abastecia, porque de acordo com o último registo do Google, de setembro deste ano, a fonte já não deverá existir.


E os pormenores, sempre os pormenores...

A galinha preta. A bacia vermelha. A derrotada Nissan pick up. A fachada ocre.


Estávamos em Benfica mas a camisola que importa é do nosso FêCêPê!!


As meninas, com os seus totozinhos coloridos, brincavam em grupo.
E a galinha preta. Sempre ela.


O balde azul à cabeça... e o Baldex azul :)


08 dezembro 2020

Angola - #8.5

Geograficamente perto do Jardim Botânico e do Mercado Municipal da Baixa de Huambo, ficava um dos pontos obrigatórios de paragem e visita. A fábrica de gases comprimidos, Angases, onde o nosso anfitrião, o meu sogro, trabalhava naquela altura.
O exterior tinha muito bom aspeto, com um parque muito limpo (contrastando claramente com os acessos exteriores) e muito florido.




Ainda que a laborar, o interior desta fábrica mais parecia um museu industrial.
O equipamento, na sua maioria era original, francês, ainda dos anos 30.
Segundo é possível ver através da última fotografia do Google Earth (de fevereiro de 2020), o edifício da fábrica continua a existir, ainda que pareça estar inoperacional.
A última notícia que encontrei, de 2017, é que a fábrica continua a funcionar, com imensas dificuldades, por limitações grandes no fornecimento de energia elétrica...



Uma curiosidade, que chega a ser misteriosa... ou cómica (não consigo chegar a um consenso!)
Em cima da secretária do responsável da fábrica, o jornal que ele estaria a ler quando lá chegamos: a Bola, de 28 de fevereiro de 1998. Estávamos em agosto de 2010...
Porque razão estaria o homem a ler isto?
Seria porque o Sporting tinha ganho ao Salgueiros? 
(Salgueiros que, por coincidência, faz 109 anos no dia em que estou a escrever isto ;)


Eram 10 e um quarto da manhã.
Já tínhamos arrancado de viagem naquele dia há mais de 3 horas, mas faltava muito. O nosso destino, Luanda, ficava ainda a 600 km de distância.

De saída da Angases, voltamos à zona escolar (para uma segunda tentativa de visita dos meus sogros a casa de um antigo amigo)
Pela rua Silva Porto, com as suas casas dos anos 60, recuperadas e funcionais.
Os olhares dos moradores, por ali, é que se mantinham... desconfiados.



E desconfiados estariam "aqueles", lá em cima, no prédio em frente ao (ex?) hotel Almirante.
Pormenores que me faziam voltar a entrar em "modo defensivo"... O que estariam dois homens a fazer, num terraço vedado a arame farpado, de um prédio com mais de 20 m, ainda com alguns furos de munições na fachada?


Seguindo caminho, voltamos à avenida da Independência, localização do hotel onde tínhamos pernoitado.

Registo da passagem pela estação ferroviária de Huambo, na altura em construção (ou em reconstrução, pois mantinha-se no mesmo sítio da estação antiga)


Uns metros à frente, quase em frente à estação, (as ruínas) de dois dos mais conhecidos e emblemáticos edifícios de Huambo, a casa Nova York e o cinema Ruacaná. 
Encontrei a informação de que foram recuperados entretanto, mas não consegui nenhuma fotografia dos mesmos, o que é um pouco estranho...
 



Seguimos agora para a zona norte de Huambo, para o bairro (freguesia?) de Benfica.
Primeiro, a passagem sob a linha de comboio, a CFB, por um viaduto muito, muito recente (devia ter sido construído em 2009, com o início dos trabalhos de recuperação da operação da linha, precisamente até Huambo).
Rua dos Convencidos, estava nele escrito, em letras garrafais, mesmo ao centro...


... enquanto no morro lateral as crianças se divertiam, escorregando pelas escadas, numa espécie de trenós improvisados, feitos de restos de cartão (como me lembro de "asneiras" destas, quando tinha esta idade ;)





07 dezembro 2020

Angola - #8.4

Voltamos da zona (ainda mais) plana e larga, do aeroporto, novamente para o centro de Huambo.

E a dificuldade começou logo aqui. Depois de tanto tempo (já lá vão mais de 10 anos...), encontrar no mapa o Santuário de Nossa Senhora de Fátima não foi fácil...
É que perto do aeroporto há o lugar (freguesia?) de Fátima, e foi por ali que fui procurando. Mas não. Esta igreja está já muito próxima do centro da cidade.
Sendo um grande e bonito monumento, não tem, no entanto, muita informação disponível sobre a sua história.



Logo ali, na avenida mesmo em frente à igreja, um prédio grande, em construção/recuperação.
Entre centenas de pormenores, não me lembro o que me chamou a atenção para fazer este registo. 
No entanto, este veio a revelar-se como "importante". É atualmente o moderno e luxuoso Messe Hotel do Huambo.


Um pouco à frente, cruzando a Av. Norton de Matos, passamos à porta do Hospital Regional de Huambo, o grande hospital central da cidade, desde os anos 50.
Felizmente, não precisamos dos seus serviços ;)


Logo ao lado do hospital, demonstrando o cuidado organizativo colocado no planeamento da cidade, o edifício da Faculdade de Medicina, que faz a transição da zona de saúde para a zona educativa.

 

E a zona educativa é das mais abertas e largas de toda a Huambo.
Espalhados numa área a rondar o meio quilómetro quadrado, edifícios grandes, de 3 ou 4 pisos, com espaços arborizados e parques de estacionamento à volta. 
Fazem lembrar, em tudo, os projetos do ISEP e ISEL, precisamente da mesma época...



O único em que paramos à porta foi onde o meu sogro foi estudante, a antiga Escola Industrial e Comercial Sarmento Rodrigues, atual Instituto Superior Politécnico de Huambo.
Continua, nitidamente, a ser a escola de referência de Engenharia da região.



Junto àquilo que, à data de hoje, se denomina "Bombas da Sonangol Girassol Casa Ecológica II" (pelo menos no maps da Google ;) uma cena muita típica e bem colorida: uma senhora a transportar à cabeça um fardo de palha, atado em pequenos molhos com fita vermelha... enquanto imensas motorizadas fazem fila para abastecer.


Circundamos o maior parque/jardim de Huambo, o Jardim Botânico ou Estufa Fria (ex-Parque Almirante Américo Tomás), nas margens do rio Calohumbula.
Naquela altura estava muito mal tratado e abandonado, mas notava-se, ainda assim, muitos dos pormenores colocados no seu projeto, como por exemplo as margens do lago (que não existia...)



Na sua parte baixa, a nordeste, um prédio alto, verde, abandonado mas ainda assim marcante.
Sobre este não consegui qualquer informação...



Nas ruas que contornam este parque são muitos os antigos edifícios/casas portuguesas recuperadas, quer para habitação, quer para serviços.
Dois exemplos, próximos, a fazer pendant ;) Ambas amarelas e com arcos na fachada.



Para terminar este post, nada como um bom exemplo da capacidade inventiva chino-angolana: um trike da Keweseki ;)



15 novembro 2020

Angola - #8.3

Mais um grande (grande!) intervalo (de Janeiro a Novembro...)

E aqui estamos nós, mesmo no centro de Huambo. 
Descendo a avenida, desde a Sé, chega-se à praça 11 de Novembro. 



A rotunda que comemora a data de independência de Angola, proclamada pelo homem da estátua bem lá no centro, Agostinho Neto.
Não paramos na rotunda, mas lembro-me que a sensação que tive na altura foi a mesma que voltei a ter agora, ao rever as fotografias. Um espaço limpo, aberto, renovado mas sempre com "aquele" toque africano: ali ao lado, alguém sentado à sombra de uma linda acácia florida.



Continuando para sudoeste, descemos a avenida General Pinto Monteiro (curioso, terem mantido uma avenida com o nome de um antigo comandante militar de Angola), que também estava a ser renovada, com arquitetura recente.
Aqui estávamos no antigo Bairro Militar.
A primeira coisa que saltou à vista, a meio da avenida, foram uns arcos cor-de-rosa, que marcariam a entrada de um imenso parque/jardim. Possivelmente, um antigo "parque da cidade", ainda ao abandono.



Por ali são muitas as imagens que marcam.
A juventude, entre marcos de outros tempos, eles próprios marcados para sempre pelas munições.
Mas logo por trás, a recuperação em andamento.



Não chegamos à zona dos antigos quarteis militares (com áreas gigantes, onde ainda hoje se consegue ver, através do Google maps, dezenas de carros de combate abandonados...)
Demos uma volta pelos "Bairros do Comandante Nzagi", que também estava em início de reconstrução.




De regresso à zona mais central de Huambo, passagem pelo Complexo Escolar São José de Cluny.
Nitidamente uma grande escola e, por alguma estranha razão, muito massacrada pela guerra.



A caminho do aeroporto, sempre com algo novo em construção.
A larga rua Direita que, curiosamente, é curva, para a direita ;)


Atualmente um grande centro comercial, o Shoprite Huambo.


Mesmo às portas do aeroporto, uma imagem que, não sendo uma grande fotografia, não consigo deixar de a colocar aqui. 
Acho-a intrigante. Deixa-me a pensar na vida daquelas pessoas...


Aeroporto Albano Machado, que àquela hora não demonstrava qualquer movimento.
Há 10 anos estava assim, nada parecido com o seu estado atual, renovado e moderno.