01 julho 2007

Análise geral após 5 anos

Correspondendo ao apelo efectuado pelos meus "ouvintes" (bem, na realidade só de um, eheheh), aqui fica a minha opinião sobre esta pequena grande máquina (ou grande pequena máquina? ;-)
É uma coisa que há algum tempo pensava fazer, mas que só agora surgiu o último input.
Vou tentar ser o máximo possível imparcial, reconhecendo, no entanto, que é uma coisa difícil...
Afinal é o meu carro!


Vou fazer os comentários divididos pelos vários aspectos do carro, um pouco ao estilo do que é normal nas revistas da especialidade, com uns "pózinhos" pessoais, naturalmente.

Primeiro a identificação e alguns aspectos de construção.

Mitsubishi Pajero Pinin 1.8 GDI, 3 portas, pack 2, de Janeiro 2001

O Pinin surgiu em 1999, de uma “joint venture” entre a Mitsubishi e a Pininfarina (de onde deriva o seu nome).
O carro na realidade já existia, mas apenas no Japão. A estética, desse primeiro “Pinin”, era muito semelhante ao primeiro Pajero, pelo que as diferenças para o actual estão essencialmente ao nível estético, como aliás não seria de esperar outra coisa ou não fosse Pininfarina um designer automóvel.
E esta é logo a primeira coisa que cativa no carro: a estética.
Para mim, o carro tem umas linhas muito engraçadas, que atraem o olhar e que lhe dão um aspecto de brinquedo.
Assim, o carro acaba por ter descendência meia japonesa e meio italiana: a mecânica é toda japonesa com “vestes” italianas, construído nas fábricas italianas da Pininfarina.


O motor do meu Pinin é um 1800 a gasolina de injecção directa.
A sigla GDI, que significa Gasoline Direct Injection, leva muita gente a pensar que é a gasóleo…
Este motor recebeu o prémio de motor do ano em 1999 e foi um dos primeiros motores comerciais com injecção directa no mercado mundial, que permite um baixo consumo e um baixo nível de emissões.
Bom, quanto a estes dois aspectos não me posso pronunciar muito.

Primeiro porque não sei o que seria gastar muito (…) e quanto a emissões, como não as meço…
Os 120 CV às 5000 rpm deste 1.8 são uns números que transmitem logo à partida uma certa confiança de empenhamento.
Mesmo assim, passados três anos do lançamento a Mitsubishi deixou de comercializar este motor, passando para um 2.0 de 129 CV que, segundo os ensaios que li, melhora qualquer coisa o desempenho, principalmente em auto-estrada.


Ao preço que está actualmente a gasolina, a escolha do Pinin não será talvez a mais "politicamente correcta".
Se em estrada aberta, e sem puxar muito, consegue-se fazer consumos na ordem dos 6,5/7, no meu ciclo diário de casa/trabalho, de cerca de 30 km por dia (15+15), não faz menos de 9/9,5.
Segundo aquilo que referi acima, este é um motor poupado. Fará se não fosse…
Aqui há um primeiro parêntesis a ser aberto: o computador de bordo é extremamente optimista. Controlados por mim, através da gasolina que meto e pelos quilómetros que faço, os consumos estão normalmente acima em 1 litro relativamente aos obtidos pelos cálculos por ele fornecido. Como detectei o problema logo no início, ainda dentro da garantia, trocaram o equipamento mas o efeito foi nulo.
Bem, não deixa de ser encorajador olhar para o painel e ver apenas 8,6 litros aos 100, que é o valor actual :-)
Além disso, sendo de injecção directa, tem um problema com as nossas gasolinas. Descobri que estas são de baixa qualidade no que diz respeito ao teor de enxofre.
Devido a isto, nos 5 anos que o tenho fiquei duas vezes parado, com o motor a recusar-se a andar. Trabalha, mas a electrónica não o deixa acelerar. É um problema aborrecido porque é preciso chamar o reboque para o levar para a Mitsubishi. Chegando lá, basta desmemorizar a falha e … voilá, está novamente a andar normalmente.
Soluções apresentadas, duas:
Primeira, andar sempre a puxar por ele para não deixar os injectores ganharem carvão que os isole. Nunca gostei desta solução, até porque a puxar chega facilmente aos 14/15 litros aos 100 km…;
Segunda, de tempos a tempos limpar o motor. Na Mitsubishi do Porto passaram a usar um "spray" de limpeza próprio para o efeito, em todas as revisões (sim, faço sempre as revisões na Mitsubishi).

Desde aí nunca mais voltou a acontecer.
Andei na web à procura de mais informação sobre este problema, que também existe no Carisma com o mesmo motor, e confirmei estas duas soluções.
Nada mais há a fazer!


Os interiores do carro são muito agradáveis.
Da mesma forma que no exterior, os interiores têm a “pena” de Pininfarina, que lhes transmitiu simultaneamente alguma dose de elegância e desportividade. O painel de instrumentos com fundo em azul é disto exemplo.
Os bancos são muito cómodos e permitem um bom encaixe.
Já a posição de condução podia ser melhor, devido essencialmente à posição do volante, que não tem regulação. Ou fico com os braços “no sítio”, em termos de distância, ou com as pernas. Os dois, não consigo…
O espaço à frente é bom. Mas é mesmo só aí. Atrás, o espaço para as pernas é diminuto. Para crianças serve, mas não para adultos. Afinal, é preciso não esquecer que o carro é definido como um 2+2.
Os materiais do tablier são um pouco duros mas resistentes. Por isso mesmo, os ruídos não são exagerados, muito pelo contrário!
A mala, é pequena. Mas o conceito de pequeno é sempre relativo ;-)
Para mim, e para a utilização que lhe dou, chega. Anda sempre com uma caixa, do tamanho de uma grade de garrafas de litro, cheia de “tralha”. Quando preciso de mais espaço basta rebater metade do banco traseiro e … já está.

Simples e funcional!


Mas passemos a coisas mais sérias: o comportamento.
Um carro Todo-Terreno tem sempre que ser visto de duas perspectivas: em estrada e fora dela.
Curiosamente, quando comprei o carro não tinha qualquer ideia de o levar para o monte. No dia em que fiz o test-drive do Pinin também conduzi um Smart.
Eu sei que não é grande ponto de comparação, mas depois de conduzir um Smart, conduzir um Pinin é uma experiência fantástica!
Parecia um carro em comparação com uma bicicleta :-)
Não tendo uma posição de condução tão alta como outros TT, ao conduzir o Pinin já me pareceu que ia “lá em cima”. E lá de cima vê-se tudo! Para conduzir em cidade é excelente.
Os comandos estão todos a mão e, como bom japonês que é, a condução é macia. Por isto, e pelo seu tamanho reduzido (4 m e 35 mm), é muito fácil de o conduzir.
Outro dos pontos muito positivos é a travagem. Os seus quatro discos (os da frente são ventilados) travam-no numa curta distância e com muita estabilidade. Mas atenção, a falta de ABS pode causar alguns calafrios iniciais…

É preciso um período de habituação.


Uma coisa que não deu para testar no test-drive foram os slides. Os 120 CV, quando aplicados apenas às rodas traseiras e a empurrar os 1400 kg de tara, transformam o Pinin naquilo que é realmente: um brinquedo!
É muito fácil atravessá-lo, e fazer uma estrada de montanha cheia de curvas com a traseira sempre a fugir é extremamente divertido. Mas isto não pode ser feito com muita velocidade. A suspensão dura, principalmente a traseira, e o centro de gravidade alto, não permitem grandes veleidades…
Mas, mais uma vez, para mim isto é o ideal. Nunca gostei muito de velocidades e sempre preferi as acelerações. Se as laterais estão garantidas pela capacidade de curvar rápido, as lineares também o estão: acelera dos 0 aos 100 em 10,5 s e trava em… numa distância curta, como já disse antes. Nunca verifiquei estes valores, mas não desconfio da Mitsubishi.
O valor que verifiquei foi o da velocidade máxima. Tchhhhu, isto não se diz, ou tem que ser baixinho: cheguei aos 170 km/h em auto-estrada.

Esta é a velocidade máxima indicada pela marca e foi a velocidade que atingi no velocímetro, confirmada ainda pelo GPS.
Ele anda muito bem numa velocidade de cruzeiro de 140/150 mas… não apetece muito. O ruído aerodinâmico começa a incomodar e depois ainda temos os consumos, que chegam aos 12. Por isso rolo normalmente sempre dentro das velocidades legais.

Até nisso o carro é bom!-)

Já estou a fazer o draft deste texto há uns tempos (3 dias…), para tentar ter um texto único mas, chegado aqui mudei de ideias.
Vou fazer um corte e deixar a parte da análise do comportamento no monte para o próximo post.
Até daqui a mais uns dias.

8 comentários:

Sepúlveda disse...

Nao posso deixar de agradecer o post que se tornou deveras ilucidativo.
Fico no entanto á espera do segumndo post pois quando a curiosidade é muita a ansiedade é proporcional.

Cumprimentos

Paulo Sepúlveda

PAS disse...

Pois, já vi que deixaste o melhor para o fim... ;-)

Um Abraço

Anónimo disse...

Muito Bom este post descritivo do Jipe, visto nao se encontrar algum tipo de "review" na net, obrigado abraço

Anónimo disse...

Um RA depois de 1000 km aprox,~~ o que incomoda é o consumo de resto nada a dizer até agora

Anónimo disse...

Em relação ao comentário anterior acrescentar que 1000 km após compra do dito com 67000km

JFAlves disse...

Esava a escrever aqui um novo comentário, mas resolvi criar um novo post:
http://jfalves.blogspot.pt/2013/02/consumos-do-pajero-pinin-sempre-eles.html

João Paulo Fernandes disse...

Qual foi o concessionário que usou no Porto? Sei de um Pinin com os sintomas que descreveu e gostava de me aconselhar com especialistas.

JFAlves disse...

Durante os primeiros anos mantive-me fiel ao concessionário onde comprei o carro: Jorjauto, na zona industrial do Porto.
Deixei de manter a assistência na marca a partir do momento em que comecei a querer fazer umas alterações (estas oficinas, por natureza, não querem alterar nada do que é original).
Na altura, o chefe de oficina era um amigo/colega e um dos mecânicos era muito bom. No entanto, depois das junções e separações a que o concessionário foi sujeito nos últimos anos, desconheço por completo a qualidade actual dos "especialistas".