02 maio 2015

Caminho Português pela Costa - parte 2

Depois do cancelamento de última hora da caminhada marcada para este fim-de-semana, devido à previsão de trovoada e chuva constante para a região da Serra Amarela, o dia de hoje não podia deixar de ser de caminho.
Fruto do momento, para não variar, lá saltei da cama, preparei a mochila e o equipamento de chuva, e lá segui eu para norte.
Santiago, aí vou eu!
Bem... quase. Quase, Santiago ;-)

Como já tinha chegado, pelo Caminho da Costa, até Labruge, resolvi "pegar" por aí.
Os verdes campos junto ao aeroporto tinham mudado de cor, ainda que com o milho já a despontar em alguns terrenos.
Os aviões, não os da TAP, que esses hoje não tiveram condutor..., lá iam surgindo, de surpresa, do tecto baixo que se verificou o dia inteiro.



Passei por Labruge, mas desta vez não fiz o desvio para a igreja, onde fotografei a estátua de Santiago.
Se há terras onde o caminho vai aos "esses" para passar pelas capelinhas todas (aqui a expressão é literal ;) em terras de Vila do Conde marca-se mesmo com um X amarelo para "não ir por lá".
Não percebo a lógica, até porque se a estátua é interessante é para os peregrinos.
Mas colocam placas bonitinhas. Pelo menos isso...


Os quilómetros seguintes também não foram muito interessantes...
Demasiado "colado" à autoestrada, o caminho é muito ruidoso para o meu gosto. Lembrei-me do "outro", o verdadeiro "pela costa", que também já tinha feito parte, até Vila Chã.
Quando vi a placa da vila, junto ao parque do outlet Nassica, resolvi virar na direcção do mar.
Sem dúvida um caminho mais longo, não marcado, mas que me pareceu a decisão acertada.

Ao chegar ao Largo dos Pescadores, resolvi parar para almoçar. Estava na hora e o estômago dava sinal.
No café confeitaria Sandra já lá almoçavam duas caminheiras, estando também a chegar um outro casal de peregrinos. Estes últimos, aparentemente americanos, pela pronúncia, queriam "a soup". Não havia. Puseram-se novamente a caminho.
As outras duas "almoçavam" duas meias de leite e duas omeletes.
Resolvi meter conversa... Tentei perceber como é que seguiam aquele caminho e não outro.
A conversa não foi fácil: uma era alemã, a outra espanhola. Cinquentonas, perto dos sessenta. Seguiam um guia, impresso, em alemão, onde me mostraram que tinham arrancado no dia anterior da "Cathedral" do Porto, tendo pernoitado em Matosinhos, seguindo sempre junto "à água". No guia não constava o Caminho Português da Costa...
Há ainda muito trabalho de divulgação a fazer.



Depois de meio frango com batatas, uma salada mista e uma Super, lá me meti também eu ao caminho.
Depois de duas horas, o impermeável já mostrava mostras de pouca impermeabilização...
Tirei a camisola de malha polar e voltei a vestir o casaco já molhado por cima da camisola de malha térmica.
Esta é uma muita boa opção para a caminhada à chuva, se não estiver frio, como não estava, mas não deixa de ser desagradável ao vestir...

A marginal de Vila do Conde está realmente muito bem tratada, com passadiços novos, em boas condições.
Num dia de sol, como quando por lá andei há um mês atrás, é extremamente agradável para um "easy esticar de pernas de sunday morning".



Ao chegar a Mindelo o Caminho assinalado pelas setas amarelas muda de curso, para o interior.
Não percebi a razão, mas desconfio que quem o marcou não quisesse que se atravessasse a Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo.
Foram cerca de dois quilómetros em plena solidão.
Além de mim, apenas umas gaivotas pareciam aventurar-se por ali.
Gostei. Pela segunda vez no dia contrariei as indicações, mas valeu a pena.



A travessia do rio Ave obriga a afastar novamente do mar para cruzar a ponte junto ao edifício do antigo mosteiro de Santa Clara, hoje abandonado.

Caminhar a solo tem as suas vantagens. De todas as vezes que fui a Vila do Conde, esta foi a primeira vez que olhei e vi, pormenores desta pequena mas muito interessante cidade.
Não tem nada a ver com Maia, Valongo ou qualquer outra cidade dos concelhos vizinhos do Porto.
Vale a pena uma visita. Com calma...
Fiquei com vontade de conhecer o interior de alguns edifícios.



Mas a ideia que se tinha instalado era fazer o percurso sempre junto ao mar, por isso lá segui eu novamente para poente, até à avenida do Brasil. Daí, para norte.
Zona rica, esta!
Casarões por ali é o que não falta, em contraste absoluto com as casas um quilómetro acima, já na zona dos pescadores, em Caxinas.
Mas o pormenor que mais me chamou à atenção foram os próprios pescadores. Num dia de muita chuva e nevoeiro estavam, naturalmente, em terra, metidos nos pequenos cafés "em cima" do mar, a jogar cartas.
Por duas vezes ficaram a olhar para mim e falar entre eles, quando apontei a lente da câmara para aqueles edifícios vidrados, a tentar apanhar a cena.
Desconfiados...

Mas nem só os pescadores estavam dentro de portas.
Praticamente só eu circulava nos longos calçadões de Vila de Conde e Póvoa de Varzim.
Enquanto passava em frente ao casino, em pouco mais de um minuto vi lá entrar mais de dez pessoas. Jogos de comemoração do dia do trabalhador?...



O trilho estava no fim.
Cheguei à "rotunda do estádio do Varzim", que talvez seja mais conhecida como rotunda do Farol, e voltei para "dentro".
O retorno a casa iria ser feita de comboio, por isso segui na direcção da estação, que era bem mais longe do que eu tinha imaginado. Nada de mal, pois afinal caminhar era o que estava ali a fazer ;)

A última fotografia, feita numa rotunda bem perto da praça de touros, mostra uma cena onde o touro é o elemento central, mas na realidade o que quis registar foi o "arranha céus" a entrar nas nuvens, lá ao fundo.
Nesta foto é mais uma vez notório o "tecto baixo" que se fez sentir o dia todo.
Muita humidade, muita chuva, que já me penetrava (quase) por todo o lado.
Quando cheguei a casa e tirei a roupa, percebi que a única parte que não estava molhada eram os pés, dentro das botas.
Foi um teste extremo ao material, que deu para perceber que não estava preparado para uma semana de chuva, se estivesse a caminho de Santiago...
Fez-me pensar no grande número de pessoas, algumas amigas, que estão precisamente a caminho.
Um Bô Camiño para todos!



20 abril 2015

Multitude

Multi actividades no espaço de apenas uma semana.
De moto, carro, caminhada... sempre registadas fotograficamente.

Ontem, na 2ª Volta a Campanhã, Porto.
Mais uma colaboração do MCP com a Runporto.

Foto da Delfina Brochado.


A meio da semana, numa caminhada de final do dia, acompanhado do Gonçalo, que se está a iniciar nestas lides, percorrendo alguns trilhos das "aldeias" de Moreira da Maia e de Vila Nova da Telha.
O mosteiro lá ao fundo.


No sábado, 11 de Abril, num passeio com o Audio TT, organizado pelo Eduardo Vasconcelos, com início no centro de Gondomar e final já perto de Marco de Canaveses.
Com o Douro, e depois o Tâmega, sempre por companhia, percorrendo os montes e vales das terras de "Civitas de Anegia".




Entre-os-rios, junto à ponte sobre o Tâmega, no local do restaurante.


Mas como nem só de Todo-o-Terreno se faz um passeio, aqui ficam os registos de umas florzinhas da época ;)





Mas como de um passeio Todo-o-Terreno se quer mesmo é... "Todo-o-Terrenar" ;) há que manter o registo de actividades mais "artísticas".
Aqui, com o Pajero Pinin a passar, equilibristicamente, sobre uma das muralhas da fortaleza (Mons) de Maurenti (Moirinte, Torrão, Marco de Canaveses), que existiu por volta do ano 1000, conquistado por Al-Mansur.

Fotos da Vânia Matos e Luz Martins.



Para as restantes fotos deste passeio, aqui fica o respectivo link.

10 abril 2015

Flower power

Color. Light. Smell.
The spring and its flowers.

From the same plant, the difficulty is to choose just one pic...





05 abril 2015

PR2 ALB - Albergaria-a-Velha

Mudança de cenário.
Dos trilhos mais citadinos para os de monte, seguindo as placas da PR2 ALB, de Albergaria-a-Velha.

Sem planear, para não variar, lá fiz eu este trilho, aberto no ano passado, ainda sem qualquer referência na web (até ao momento...).
Curiosamente, está prevista, para o próximo sábado, a apresentação oficial da Rota dos Moinhos de Albergaria, com inauguração do site oficial do mesmo.



A qualidade "telefónica" das fotografias é nítida, dada o alto contraste de níveis de luz, uma vez que foram feitas, na sua maioria, junto ao rio, entre sombras e muito sol...
No entanto, e ainda assim, penso que dará para perceber a beleza de alguns dos locais.



O trilho foi aberto muito recentemente, e isso é notório.
Toda a sinalização é nova e o mato foi cortado há pouco tempo.
Quem marcou o trilho, ao contrário de alguns que já percorri, sabia o que estava a fazer: apenas num único sítio tive dúvidas por onde seguir, o que não é nada mau! ;-)



Mas nem tudo é bom.
Este não é, definitivamente, um trilho para todos.
A associar à subida, íngreme, ao alto do monte, entre as aldeias de Vilarinho de São Roque e de Telhadela, estão alguns pontos de difícil passagem. Diria mais, perigosos.
Algumas das descidas, com degraus escavados na terra, são muito escorregadios, com terra a deslizar (por terem sido feitos tão recentemente).
Em nenhum sítio tem cordas ou outra espécie de apoio para a subida ou descida.



Um dos sítios mais perigosos, mas simultaneamente muito interessante, fica a cerca de 1 km a jusante de Vilarinho de São Roque.
Há uma antiga levada, que segue sempre junto ao rio, mas que vai ficando cada vez mais alta, chegando, provavelmente, perto dos 30 m, mais uma vez sem qualquer protecção.
Espero que não haja nenhum acidente por lá...



Só me faltou fazer cerca de 2/3 km do trilho (julgo), por falta de tempo.
Como não o tinha previsto, e a hora de almoço estava a chegar, fiz um corte directo de Ribeira de Fráguas a Telhadela.
Ficou para o terminar numa próxima...



Para finalizar, deixo o registo do percurso efectuado.

29 março 2015

Caminho Português pela Costa - parte 1

De volta aos Caminhos e agora directamente a partir de casa, quer pelo Caminho Português da Costa, quer pelo Central.

Nos últimos três fins-de-semana iniciei a exploração.
No primeiro dia, comecei para norte pelo da Costa, voltei para sul pelo Central.
No segundo, inverti os sentidos. No último, resolvi fazer o que faltava até à Sé do Porto.
Resolvi... em cima da hora, como é hábito ;)

O que deixo a seguir é a compilação do registo desses três dias, no sentido do Caminho, Porto - Santiago, ainda que a maior parte tenha sido feita em sentido inverso.

Assim, começo... surpresa... na Sé do Porto.

Sé do Porto, vista da Calçada de Dom Pedro Pitões

Igreja de São Lourenço (Convento dos Grilos) com vista sobre a zona ribeirinha e o rio Douro, Porto
Estes registos, como sempre acontece, são apenas de alguns pormenores que, por uma razão ou outra, acho curioso na altura.
Primeiro não apetece fotografar nada, até porque o objectivo não é esse, mas rapidamente se torna impossível suster o impulso do "click".
Se há locais no Porto por onde já passei centenas de vezes, nestes já... alguns anos de vida, há outros, por onde nunca passei.
As ruas das Sé, estas que aqui deixo o registo, já as cruzei, ainda que não há muito tempo. Foi há quase dois anos, precisamente no reconhecimento de bicicleta do Caminho mais interior, que passa por Braga.

Escadaria no final da Rua de Pena Ventosa, Porto

Rua de Santana, Porto
Depois de caminhar, a pesquisa sobre os locais é também algo que sempre gostei.
Muitas destas estreitas ruas já foram percorridas por milhares, largos milhares, de pessoas, deixando muita história para trás.
Desta vez, ao passar pela zona de Cedofeita, lembrei-me de ir espreitar uma rua que já "foi minha" em 86/87, a rua do Breiner.
Parece que foi ontem que entrei para a Escola Secundária Fontes Pereira de Melo... mas já lá vão quase 30 anos...

Rua Ferraz, com a Sé em fundo, Porto

Rua de Cedofeita, com a Torre dos Clérigos em fundo, Porto
O Porto continua a manter alguns recantos que lembram outros tempos.
No cimo da rua Nossa Senhora de Fátima existe um largo, com uma igrejazinha ao centro, que mais parece uma capela de uma qualquer vila campestre.
Nunca por ali tinha passado a pé, nem sequer reparado a sério na mesma, mas se se conseguir esquecer os muitos carros que por ali passam, facilmente somos transportados para outra era...

Capela do Senhor da Agonia, Largo da Ramada Alta, Porto

Passagem sob prédio, no cruzamento da Rua Nove de Julho (antiga estrada romana, via veteris) com a Rua da Constituição, Porto
... outra era como a do cerco do Porto, em mil oitocentos e trintas.
Grande parte do Caminho de Santiago pela Costa segue a antiga estrada que ligava o Porto a Vila do Conde, precisamente a que trouxe, a 9 de Julho de 1932, as tropas liberais desde Mindelo ao Porto.
A praça do Exército Libertador, na zona do Carvalhido e junto à sua muito azul e branca igreja, ganhou a sua designação depois do exército de Dom Pedro ter aí pernoitado antes de entrar na cidade - nessa altura, o Carvalhido ficava nos arrabaldes do Porto...

Cruzeiro do Senhor do Padrão, na Praça do Exército Libertadorfinal da Rua Nove de Julho, Porto

Cruzeiro do Padrão da Légua, no entroncamento da Rua de Recarei com a Rua do Senhor, Leça do Balio, Matosinhos - separação do Caminho Português da Costa do Caminho Português Central

Mas se o trilho é antigo, a marcação do Caminho pela Costa... nem por isso. A placa com a indicação para este Caminho é mesmo muito recente.
Em pesquisa, dei com este relato de uma caminhada, de Fevereiro de 2014, onde se pode verificar que a placa junto ao Cruzeiro de Padrão da Légua ainda não existia.
Dali, passando por Custóias, até à entrada no Concelho da Maia, as indicações são apenas efectuadas por estas pequenas placas azuis, colocadas no cimo de postes metálicos.
Bem feito, "bonito", mas não percebo como é que os peregrinos seguem por lá. Admito que se viesse a seguir as setas amarelas, desde a Sé, não iria por lá... Tem inclusivamente, uma cruz amarela de "não siga por ali"!

Mas é mesmo por ali e este percurso tem pontos muitos interessantes, como a ponte de D. Goimil, sobre o rio Leça, recuperada em 2014.

Ponte românica de D. Goimil, Custóias, Matosinhos - passagem sobre o rio Leça da antiga estrada romana, via veteris

Rio Leça - vista da Ponte de D. Goimil

Entrando em terras da Maia, tem-se como grande referência o aeroporto.
É certo que os primeiros peregrinos não tinham essa noção, mas actualmente, os cerca de 4/5 km de Caminho na Maia correm sempre paralelos à pista.
Na mudança de concelho, à entrada de Vila do Conde, mais um troço curioso: uma rua que atravessa toda a zona da pista, bem no final da pista.
Por ali estamos em Aveleda, mas não a terra do verde vinho. Mais parece o verde Minho.

Rua de Lagielas, Aveleda, Vila do Conde - fronteira norte do aeroporto Francisco Sá Carneiro

Verdes campos de Aveleda, Vila do Conde

Travessa da Pena, Aveleda

Em Vila do Conde voltam as placas azuis, no topo de postes metálicos.
É curioso ver o investimento que as autarquias fazem neste tipo de turismo, mas com muito pouco cuidado... Este Caminho Português da Costa precisava de estar melhor sinalizado no seu início pois nas cerca de 6 horas que já percorri neste ainda só me cruzei com um único caminhante.
Mais ainda, perto de minha casa, na entrada em Vila do Conde do Caminho Central, o mapa colocado pela câmara municipal, com as indicações do percurso e alternativas, está errado logo no seu início, como também se pode verificar no track que têm online.
Como é que estará o resto?...

Indicação do Caminho Português da Costa - Rua da Venda Velha, Aveleda

 Verdes e floridos campos em Labruge, Vila do Conde

Para já ainda só cheguei à igreja de Labruge, com a sua estatueta de granito de Santiago de Compostela colocada na praceta frontal.
Na realidade, no dia que lá passei não tinha como objectivo chegar até este ponto, mas antes chegar à praia de Labruge pelo interior, voltando para sul junto à costa.
Nada como ir descobrindo caminhos aos poucos.
E é isso que irei continuar a fazer... aos poucos.

Imagem de Santiago de Compostela, junto à Igreja de Labruge

Na pesquisa para este post dei com vários sites muito interessantes, que no ano passado, na preparação para o Caminho não encontrei.
Para registo, ficam aqui os links para os mesmos.

Um dos mais completos sites sobre Caminhos de Santiago. Em espanhol, o Caminador O´Luis do Freixo.

De uma associação de Esposende, a Viaveteris.

Sem grande informação da sua origem, mas com contactos úteis, tem mesmo a designação de Caminho Português da Costa.

Da C.M. de Vila do Conde, mais um Caminho da Costa.

Para último, outro exemplo de Caminho da Costa, agora da C.M. de Viana do Castelo.