12 março 2011

Angola - #6.1

No sexto dia por terras africanas não acordamos tão cedo como nos anteriores.
O dia anterior tinha sido longo, sempre em viagem, e este não ia ser "pior".
Ainda assim, às 9 da matina lá estávamos nós a sair para tomar o pequeno almoço no restaurante do antigo, mas ainda muito interessante e confortável, Grande Hotel da Huíla.


Há que pegar no batente!

O objectivo do dia era visitar Namibe, a cerca de 180 km de Lubango.
A distância não era muita, mas sabíamos dos muitos motivos de interesse pelo caminho, daí não termos feito uma grande volta diurna de reconhecimento à cidade.
A imagem seguinte é da praça principal, onde se localizam alguns dos edifícios mais importantes, como o do governo provincial da Huíla, com um "monumento à bola" mesmo em frente.


Ainda antes de arrancarmos em direcção à costa fizemos uma paragem num mercado tradicional da cidade.
Não entrei.
Fiquei no carro a aproveitar para registar mais umas cenas coloridas...


Não estava à espera era de tanta "cor"!...
A rapariga da fotografia seguinte, que estava sentada no grupo de vendedoras da imagem anterior, veio imediatamente ter comigo quando percebeu que eu tinha "disparado" contra ela.
Veio pedir dinheiro.
Depois de alguma negociação, pela primeira vez, e única até agora, "paguei a uma modelo" para fazer uma fotografia.
Quarenta cêntimos bem gastos. Digo eu! ;-)


Cidade pacata, colorida e que gosta de futebol, esta Lubango.
Aos pés de mais um importante monumento da antiga Sá de Bandeira - o da Sra. da Serra, a João de Almeida, antigo governador da província da Huíla, há cem anos - mais uma das "bolas de futebol" que ainda se mantêm por lá, depois do CAN 2010.
  

Estando Lubango já na chamada região dos planaltos, a cerca de 1750 m de altitude, o caminho de Namibe obriga a subir ainda mais, logo à saída da cidade.
Estes primeiros quilómetros foram feitos numa escalada a passo de caracol, atrás de fumarentos camiões carregados...


Toda esta região é conhecida pela sua enorme produtividade agrícola.
A criação da localidade, aliás de toda a região da Huíla, pelos portugueses, teve precisamente o objectivo de aproveitar a sua riqueza agrícola. É curioso, mas antes de começar a ser colonizada pelos portugueses - madeirenses, principalmente - não havia praticamente habitantes nestas região.
Os censos de 1901, ano em que é criada a vila de Sá de Bandeira, registaram "1575 habitantes no Lubango, sendo 1248 da raça branca". Curioso, não?
Segundo a informação mais recente que consegui recolher, o município de Lubango tem actualmente quase milhão e meio de habitantes, que continuam a ser, a maior parte deles, agricultores ou que vivem de alguma forma da terra.


O dia ainda vai ser longo...
Para já, fico-me por mais uma curiosidade: um autocarro (Toyota, é claro!) equipado com snorkel.
Não é, com certeza, nestas estradas de asfalto que ele faz falta...



05 março 2011

Pró-Capelinhas versão 2.1

Em Outubro de 2010 fiz um passeio fora-de-estrada, de carro, que já repeti 3 vezes de tão bom que foi.
Mas as 3 repetições foram todas feitas... de moto. De TTransalp.
A primeira das quais foi logo no dia seguinte, em reconhecimento.
Será que de moto se conseguia fazer aquilo que se fez de carro?
Sim!
Se de início me custava a acreditar, agora já parece normal.


No dia 14 de Novembro lá reunimos o maior grupo de sempre de motocicleteiros TTrailistas, ligados ao Moto Clube do Porto.
Uma imensa "gangada", de novas e bem antigas Trails, preparadas para os maus caminhos.



E precisamente de maus caminhos se tratava!
Se no fim-de-semana do passeio de carro e de reconhecimento de moto estava um tempo fantástico, de sol e piso seco, no dia deste passeio estava molhado.
Muito molhado. Muita lama!
Muita diversão nos esperava, portanto ;-))



No entanto, devido a uma certa... "confusão das senhoras" que ficaram de nos levar o lanchinho para meio da manhã, tivemos que encortar em cerca de 40 % o percurso e dirigirmo-nos directamente para o restaurante.
Mas também não ficamos mal servidosl! ;-)


Depois do almoço o percurso tem sempre tendência a parecer mais suave. Mais soft...
O acompanhamento do almoço, seja ele branco ou tinto, amacia qualquer "cratera" que apareça à frente!!
Pobre coitada, as coisas que tem que aguentar :-)


A última parte do dia foi a mais molhada.
Não que estivesse a chover, pelo contrário, mas porque as poças de água e lama eram consecutivas.
Fiquei com sensação que tivesse feito de carro, com este piso, a coisa iria ser bem mais complicada do que foi um mês antes...
Pelo meio da floresta, aqui vamos nós!




Quanto às capelinhas do título... aqui fica uma, quase no final, já bem perto de Esposende.
O percurso compreende (quase como o meu percurso casa-trabalho ;-) vários quilómetros dos caminhos de Santiago, pelo que passamos ao lado de uma série grande de pequenas capelas, daí o nome atribuído ao passeio.
(... série grande de pequenas... Bonito! ;-))


A terceira repetição do percurso foi feita no passado domingo, novamente em reconhecimento para uma nova tentativa de fazer o passeio por completo.
Está... bem mais complicado, depois da muita chuva de todo este longo inverno.
Muito mais lama (embora com menos água, porque voltou a estar um dia de sol) e muita pedra rolante.
Uma grande aventura nos espera para o próximo dia 20...


Logo a seguir ao passeio fiz um filmezinho, que cheguei a publicar no youtube, mas nunca mais disponibilizei as fotografias...
Aqui fica a série completa de fotos e, para quem ainda não o viu, aqui fica então o filme.


04 março 2011

Alternativa à ex-SCUT

Há uns tempitos que andava para registar fotograficamente o meu actual percurso casa-trabalho, alternativo à ex-SCUT A41.
Deixei de fazer um trajecto cheio de trânsito para fazer um percurso cheio de... "romantismo".
;-))




A suspensão do Pinin não gosta muito... mas não é toda a gente que pode dizer que a caminho do emprego percorre vários quilómetros dos caminhos de Santiago!
;-))




Um percurso que atravessa belas e verdes pastagens, passagens estreitas e até "túneis"...
Atravessa também o rio Leça e um ribeirozinho. É sempre a meter água! :-))



Passagens estreitas, muito estreitas...
Para já ainda não encontrei ninguém a "vir de frente", a não ser bicicletas BTT.
Não sei como será quando apanhar outro carro, mas não deve ser nada que não se resolva.



Se até aqui demorava cerca de 15/20 min (em hora de ponta 20/25 min) passei agora a demorar 25 min, seja lá a que horas for.
Com esta alternativa, e considerando também as 10 viagens grátis, consigo poupar 8,50 euros.
Não é muito, mas é qualquer coisa!...






Ainda tenho mais umas alternativas, mais umas pontes, bem interessantes.
Pode ser que ainda apareçam por aqui. Quem sabe... ;-))

15 fevereiro 2011

Angola - #5.4

Fecho do dia 5 desta fantástica viagem por terras africanas.
Depois de acordarmos em Lobito e almoçarmos em Benguela, iniciamos finalmente a viagem para Lubango, cidade do interior de Angola.

Logo à saída de Benguela começa-se a subir. A subir uma imensa serra, de onde se vê cada vez mais à distância.
Uma paisagem sempre, sempre em crescendo...



Nestas estradas vai-se encontrando algumas cenas curiosas, nem que seja pela diferença para aquilo que podemos encontrar por cá, em Portugal.
Um exemplo são os meios de transporte. Dois exemplos, de dois camiões, provavelmente ainda do tempo da colonização.
Estes não deviam passar nas nossas IPOs... apenas por falta de air-bags! ;-)



Outra curiosidade: pequenas (pequeníssimas) aldeias junto à estrada, às vezes com apenas duas ou três casas, às vezes redondas, às vezes quadradas, às vezes com telhado de colmo, às vezes com telhado de chapa de zinco...
Mas sempre pequenas.


Só já a cerca de metade da viagem, em Chingoroi (ou Chongoroi) aparece uma localidade maiorzinha.
E o que é que existe bem junto a esta vilazinha?
Um rio, com certeza!


Chingoroi já fica a cerca de 1000 metros de altitude, mas continuávamos a subir.
E se a estrada já estava elevada, ao longe íamos vendo um picos... Altos.
Já lá se percebe que são altos, mas só cá, em "trabalho" de pesquisa, percebi o quanto.
O da fotografia seguinte (lá ao longe, no meio da névoa) ultrapassa os 2400 m!...


Nova curiosidade: por definição do governo, as principais estradas estão divididas em troços com cerca de 60 km, construídos por diferentes empreiteiros.
Isso mesmo verificamos nesta viagem.
O primeiro troço, à saída de Benguela, estava em boas condições, com um asfalto impecável e com (alguma) sinalização horizontal e vertical. Construído por brasileiros.
O segundo troço, construído por chineses, tem um asfalto em mau estado, com algumas crateras gigantes, que tornam a viagem "animada" devido aos constantes desvios e travagens fortes. Sinalização... nem vê-la!
Mas depois, no terceiro troço, vem a "melhor" parte.
Neste terceiro troço rola-se... em terra, pois claro! ;-))



Não é preciso muito para imaginar quem foram os empreiteiros que "construíram" este troço de estrada, pois não?
Não. Foram mesmo os minino. Os Angolanos!
Nestes 60 km nem sequer se rola pelo traçado da "estrada", mas antes por uma "alternativa paralela", com muito mais curvas e altos e baixos, mas com um piso mais macio.
Até os grandes camiões "TIR", que transportam de tudo, até batatas, da África do Sul, passam por esta estrada, a principal a caminho de Luanda.
Absolutamente incrível, uma vez que eles não ultrapassam os 5km/h nestes troços!!

Mas a baixa velocidade permite detectar destas coisas: um monte construído pelas térmitas, ou salalé, como por lá se chamam.
Formigas aladas e arquitectas, capazes destas construções imensas, com mais de 2 metros de altura.


E outra das coisas que me começou por surpreender por estes lados: a quantidade de pessoas que aparece à beira da estrada a vender todo e qualquer produto criado no campo.
O mais vulgar é mesmo o amendoim (ginguba), mas neste caso era um frango.
A senhora vinha a correr para o carro, a segurar o frango pelas asas, ainda vivo.


Quando saímos do último troço de terra do dia, e entramos num troço com o asfalto ainda muito recente, o sol já ia baixo.
É curioso, mas meio ano depois ainda tenho bem fresca a memória deste local. Foi onde trocamos de condutor (a terra foi minha, claro! ;-), pois aproximávamo-nos de uma localidade de dimensões razoáveis, Cacula.
Embora não fosse proibida a minha condução por lá, era melhor não abusar...


Por esta altura a altitude era muita. (que bela frase! :-)
Estávamos a circular a 1600 m de altitude. Não parecia, mas era mesmo assim.
Depois das montanhas terem ficado para trás a paisagem mudou muito. Um imenso planalto, com savana de ambos os lados.
E aquelas árvores. Tipicamente africanas. Fantásticas e extremamente fotogénicas.
Pena que todas estas fotografias tenham sido feitas a correr... sempre de dentro do carro, em velocidade.


Umas das "plantações" menos vulgares e ecológicas da savana.
Não, não é algodão. São plásticos. Sacos plásticos.
Este registo foi feito imediatamente a seguir a mais uma aldeia. Uma aldeia pequena, mas onde se faz uma feira e... no sentido consistente do vento local (norte-sul).
As cores, essas, estavam a ficar no ponto...


... no ponto atingido poucos minutos depois.
Um pôr do sol fantástico, enquadrado por mais uma árvore "daquelas".
Uma acácia, provavelmente.
Um registo digno de mais um postal ilustrado. Digo eu!  ;-)


Estávamos já a percorrer a província de Huila, mesmo a chegar a Lubango.
O sol tinha acabado de se esconder por trás da imensa, altíssima, crista vertical, imediatamente a oeste desta grande cidade.
As cores do céu estavam soberbas, de uma forma que ainda não tinha assistido por terras africanas.


Depois de descarregar a bagagem no hotel fomos à procura de um restaurante.
Estávamos na altura das festas religiosas da cidade e lá, como cá (embora já tenha sido mais), é costume fazer romaria à senhora "da serra".
O restaurante, indicado pelo nosso "guia particular" como um dos melhores da região, estava mesmo ao lado do recinto da festa e de um jogo de quino, que anunciava os números em altos berros, entremeado com uma "fantástica" música... em altos berros.
Mas a primeira opinião confirmou-se: comeu-se muito bem, com um bom acompanhamento líquido, desta vez a cerveja da terra, a N'gola! ;-)



12 fevereiro 2011

A evolução de Darwin

Fechando o conjunto de registos do passado domingo, ficam umas fotografias com alguns pormenores da própria exposição "A evolução de Darwin", visitável na casa Andresen do Jardim Botânico do Porto, "ali" em Campo Alegre.
Vale a pena, digo eu!
E é de aproveitar hoje, sábado 12, que a entrada é gratuita.

No início era o fascínio!


As aberrações da natureza: cães com dois corpos; gatos com duas cabeças; cobras; lagartos...


HMS Beagle.
Um modelo à escala do navio que transportou, durante 4 anos, a expedição científica de exploração de terras e mares, integrada pelo então caloiro naturalista Charles.
O navio que se existisse nos tempos de hoje deveria pertencer à BBC ou ao National Geografic... ;-)


"A mulher, esse espécime tão interessante"
Muita coisa haveria a dizer sobre esta afirmação... mas não temos tempo.
:-))


No centro da exposição.
Alguns modelos dos muitos espécimes de animais que Darwin foi encontrando ao longo da sua viagem de circum-navegação.
Esta parece tirada do ataque final dos "Birds", de Hitchcock.


Façam uma boa visita.