01 janeiro 2011

Angola - #5.2

Entre Lobito e Benguela fica Catumbela.
Na realidade, de Lobito, Catumbela fica "logo ali".
Até sei que há muito pouco tempo, antes dos novos acessos, não era bem assim. Mas agora é.
Não se distingue nenhuma fronteira, e os morros, que limitam as terras baixas, junto ao mangal, e o interior do território, são um contínuo correr de casas e casinhas - de musseque, como por lá se chamam.
Ainda assim, estes bairros pobres já aparentam ter umas condições bastante razoáveis: têm energia eléctrica e, de noite, iluminação pública.
E têm instalações desportivas: de reparar no jogo de futebol, disputado no pelado, mesmo ao lado de um relvado ;-))


Cantão nº 1 - 1946
A 26 km de Benguela, uma das muitas casas de cantoneiros abandonadas.
À semelhança daquilo que também se passa em Portugal, deixaram de haver cantoneiros dispersos pelo país.
A actual cultura está em concentrar para melhorar, ou acabar, com os serviços.
Eu aposto que o acabar vai ganhar!...


A feira, junto à linha férrea, é um dos pontos com mais vida em Catumbela.
Muito movimento e muita cor.
Não paramos para apreciar, mas deu-me a ideia que os produtos mais transacionados aqui são os alimentares.




Muito perto da feira, num largo junto à estrada, há um "museu" ao ar livre.
Comboios e material rolante, bem ferrugento, aparentemente já do início do século passado.
Registo histórico da importância que a linha férrea sempre teve neste canto do país.



Catumbela é também nome de rio.
O Catumbela é relativamente curto, para as dimensões do país, com apenas 240 km, mas percorre uma paisagem montanhosa muito abrupta.
É atravessado por uma nova ponte, a 4 de Abril, inaugurada em Setembro de 2009, construída por um consórcio português, Soares da Costa/Mota-Engil.
Bem bonita, por sinal, dá um ar de modernidade à localidade!



Mais uma escola, esta mais ao estilo português dos antigamentes, embora nada parecida com as nossas quadradonas Salazaristas.
Se a escola que registei em Lobito não tinha paredes, esta têm-nas. Mas não tem porteiros...
As crianças circulam livre e alegremente pelas ruas.
As mais pequenas, e isto é geral em todo o país, vão para a escola com as suas próprias cadeiras de plástico às costas.
Curioso, no mínimo!...



Estádio Nacional de Ombaka: um dos novos estádios desportivos, construídos para o CAN, Campeonato Africano das Nações... de futebol, claro!, que decorreu no início deste 2010.
No entanto, e pelos vistos, por Angola os novos estádios estão como em Portugal: às moscas.
Bom, às moscas talvez não!...
Se em Portugal o estádio do Algarve está a ser usado para prólogos de ralis, o de Leiria está na perspectiva de ser demolido, o de Aveiro aspas-aspas... por Angola servem para o universo religioso da igreja pouco católica, que é a "equipa" que tem mais adeptos!!
Mas que é giro, é!


A entrada em Benguela faz-se por uma zona muito industrial, como aliás também o é a periferia de Lobito.
O primeiro prédio digno de registo, por ser alto e visível à distância, é o hotel Mombaka, ou M'Ombaka (o que está nas terras de Ombaka).
Este é o hotel de referência de Benguela (acabei de ver a quantidade de comentários bem positivos ao mesmo).
No entanto, o meu registo fotográfico tem um enquadramento que, se puramente fortuito (pois é uma foto feita de dentro do carro, em andamento), não consigo deixar de o achar curioso: um hotel de 4 estrelas, um carro de luxo (Range Rover todo equipado), um casebre e um monte de entulho.
Uma cena que corresponde perfeitamente à imagem da Angola actual. Não se consegue separar as duas vertentes.


Benguela é muito bonita.
Bonita e descontraída. Tão descontraída que se vê pessoas simplesmente a passear na rua à noite, o que não deixa de ser curioso, depois de conhecer Luanda...
Há pessoas a passear, mas principalmente pessoas brancas.
Pareceu-me, e não devo estar enganado, a cidade mais "branca" de Angola.
De dia, vê-se também pessoas a cruzar as belas e largas praças, em ritmo de passeio ou em passo apressado, por exemplo a caminho da escola.
Bonitas também estas miúdas, de farda branca.

E para finalizar por hoje, paro à entrada de uma zona menos aconselhável ou recomendável.
Mas ali perto, HA 100 METROS, há mais uma igreja universal.
Não faltam em parte nenhuma, quase como as lojas de informática.
Estão universalizadas!
;-)

29 dezembro 2010

Angola - #5.1

Y, finalmente, la continuación!
(em espanhol não parece tal mal dizer que já se passou mais de um mês desde a última entrada desta crónica por terras africanas...)

Tinha ficado por terras do "pequeno lobo". Lobito, para ser correcto!
Depois da francezinha em Benguela, a noite foi passada n"O Navegante". É um hotel antigo, com uns quartos enormes (acho que o maior em que alguma vez estive!) mas com uma decoração "pesada e cansada", em veludos vermelhos.
O despertar foi abrupto. Às 8 da matina, os chineses começaram a abrir uma rota no passeio, com martelos de pressão.
Às 9:30, quando saímos do hotel (neste dia saímos "tarde"), já tinham a rua aberta de ponta-a-ponta.
No final do dia, imagino, já deviam ter tudo fechado outra vez (se fossem portugueses, ainda hoje o passeio estava esburacado!... ;-)



Começamos por aproveitar a manhã para conhecer um pouco melhor Lobito. Circular um pouco pelas suas ruas principais. Conhecer a última morada angolana da Mónica, antes de ter que correr, a fugir da guerra que por ali atingia o seu ponto crítico, em 75...
Às vezes é melhor nem conhecer!... Descobrir como está agora, aquilo que já foi outrora um prédio tão chique, tão cheio de estilo!...
Não, desse não coloquei aqui o registo fotográfico. Ainda me faz confusão o cheiro que se sentia, no interior do carro, quando estacionados à entrada do mesmo...
Ficam antes alguns pormenores da paisagem urbana.

O que é isto?
Um comboio de estrada, com rodinhas minúsculas, matrícula portuguesa,com o nome de um prato mexicano (Guacamole) e à sombra de um cartaz publicitário a um banco com o nome mais intrincado que já alguma vez existiu (Banco Caixa Geral Totta de Angola)???
Não sei!  ;-))


Na fotografia seguinte aparece uma escola. Sim, uma escola.
Não tem portas nem janelas, mas também não precisa porque não tem paredes para o exterior.
Na realidade até as tem, mas não na sua versão mais normal. Estas são "abertas", tipo rede.
Assim respira-se melhor!


Um comboio dos Caminhos de Ferro de Benguela.
É aqui que começa a linha mais conhecida de Angola e que percorre cerca de 1700 km pelo continente africano, até à Zâmbia, atravessando a RD do Congo.
As linhas férreas, que estão a ser recuperadas pelos chineses, é que não me parece que venham a ter a mesma durabilidade da versão original... não sei porquê!...



Um dos stands de venda junto à vala do Kassai e mangal do rio Catumbela.
Este era de material de pesca (redes de crustáceos, aparentemente), mas há por lá de tudo, numa imensa feira ou mercado de rua, sempre junto ao mangal e à linha férrea.


Os pobres dos flamingos, actualmente em extinção.
Ao longe, muito longe, ainda se percebem cerca de duas ou três dezenas destes belos pássaros de longas pernas.
 (aproveito para relembrar que se clicar em cima das fotos abre uma nova janela com a fotografia em tamanho maior - é preferível clicar com o botão direito e abrir a imagem num novo tab ou nova janela).
Estes mangais já foram conhecidos, no tempo da outra senhora, pelo imenso bando residente de flamingos, mas os quase 30 anos de guerra e a poluição que teima em não desaparecer, estão a conduzi-los rapidamente à extinção.
Pena? Claro. Muita!...


Em Lobito, centro, ou baixa, o ambiente que se vive é mais próximo de uma vila costeira portuguesa do que o de Luanda.
As casas, na sua maioria, são do final dos anos 60, inícios de 70, do tempo da ocupação portuguesa.
À excepção das cores, que tendem para o "vistoso", em algumas esquinas tem-se a nítida impressão que se podia estar em Portugal!...
É que nem os buracos no asfalto estão a faltar.  ;-))


Em Lobito também existem os candongueiros, mas são os táxis de duas rodas que por ali são mais utilizados.
Como o trânsito é muito mais reduzido do que em Luanda é mais fácil de arriscar (a mim não me viam a andar de moto em Luanda!!) e as motoretas - chinesas, é claro! - são às centenas.
Reunem-se junto dos centros de comércio e por 10 ou 20 kwanzas transportam uma pessoa à pendura, normalmente carregada com todo o tipo de carga.



Para fechar a "manhã" deste longo dia, que irá terminar em Lubango, o registo de um "ponto digital", este, o Studio Butica.
Encontram-se por toda a Angola, tanto nas grandes cidades como nas aldeias mais recônditas.
Chega a ser impressionante!
Internet, fotocópias, fotografias, digitalizações... É só pedir.
Não é suficiente, pois ainda não é educação, mas fazer chegar a informação à população é já um passo de gigante para o desenvolvimento...

11 dezembro 2010

Seguindo as capelinhas MinhoTTas

Há que recuperar o tempo perdido...

Embora não pareça (...), foi há já quase dois meses, num fantástico sábado de sol, que fiz o último passeio fora-de-estrada com os amigos do Clube Audio-TT.
O percurso, definido pelo Zé Rui, e organizado em conjunto com o pai, Rui Martins, estava à medida: com uma paisagem e envolvência do melhor e dificuldade TT-QB, ou seja, na sua generalidade era bastante simples, mas com algumas dificuldades para apimentar a coisa.
O convívio, esse, já nem vale a pena falar muito. Excelente!

Ficam as fotografias feitas no dia, apresentadas desta vez num formato diferente, em slideshow.



Aproveito para colocar também aqui um filmezinho realizado pelo PAS, onde a pequena grande máquina, Pajero Pinin, tem os seus 10 segundos de estrelato.
;-))

04 dezembro 2010

Cai neve na Cabreira

Há que quebrar a crónica. Interromper o quente de África com o fresquinho nacional.

Hoje de tarde deu-me para sair e... ir andando. Coisa rara, nos dias que correm.
A meia dúzia de quilómetros de casa já vi neve. Lá longe, é certo, mas vi neve!
Para quem estava a rolar sem destino, aquele branco teve um efeito de atracção.
E para lá, para norte, foi para onde me dirigi.

Como já tinha saído tarde, sem destino, acabei por chegar a Vieira do Minho depois das 4 e meia, já o dia estava a terminar.
Ainda assim, avancei mais um pouco e comecei a subir a serra da Cabreira, que juntava aqui as cores frias do Inverno com os tons quentes do Outono.



A tarde estava a terminar e o gelo na estrada, pelo contrário, começava a formar-se.
Uma camada altamente deslizante, que tornava perigosa a progressão.
Mesmo com as quatro rodas motrizes, bastava acelerar um pouco mais para o carro se atravessar.
Mas é nestas condições difíceis que se consegue verificar o efeito das diferentes "posições" da transmissão do Pajero Pinin.
Há portanto que brincar!
Só com as rodas de trás a "empurrar" quase não se mexe. Aliás, do sítio onde se vê parado nas fotos seguintes, não se mexeu mesmo. Enterrou, e depois nem para trás, nem para a frente.
O que funciona bem aqui é o bloqueio do diferencial central. A diferença é brutal! Quase que parece (quase!) que o carro já não está a andar sobre gelo. Impressionante!



Mas havia. Havia gelo, e muito!
Estava na hora de sair dali. Não era recomendável cair a uma valeta, a anoitecer e sem outro carro para ajudar.
O Barroso, amigo do Áudio-TT, tinha, coincidentemente, acabado de se cruzar comigo e tinha precisamente a mesma opinião: já não havia muita neve e o gelo estava a ficar perigoso.
Mas enquanto durou foi engraçado. Até ao próximo nevão;-)

21 novembro 2010

Angola - #4.3

Chegamos a Lobito por volta das quatro e meia da tarde.
A luz quente do final da tarde imperava. Era... inverno.

Lobito é já uma grande cidade. Ao contrário de Sumbe ou Porto Amboim, a entrada em Lobito é complicada. Muita gente. Muitos bairros de lata. Muita confusão...
Sinalização?... nem vê-la!
O ambiente nos morros envolventes da antiga Lobito já se assemelha mais aos subúrbios de Luanda: milhares de pessoas, jovens, desenrascados, sempre a mexer por entre arruamentos esburacados e com esgotos a correr a céu aberto.
E por entre uma imensa pobreza voltam a aparecer os carrões. Nada que se compare a Luanda, é verdade (aí, acho que nada no mundo se lhe assemelha!), mas os contrastes são ainda assim enormes.
Na foto seguinte, uma gigante Ford Tundra que desce como nós, à baía.



Atravessamos o centro pelas principais avenidas, contornando alguns lagos, canais e... linhas de comboio.
Há cem anos, a construção do Caminho de Ferro de Benguela (Benguela, a província), permitiu que o porto de Lobito tivesse passado a ser um dos maiores entrepostos comerciais em África. Era dali que eram  escoados os produtos que chegavam dos "países ingleses", do interior do continente Africano, servidos pela linha férrea, como a República Democrática do Congo, a Zâmbia ou o Zimbabwe.
Actualmente, com a renovação da linha (pelos chineses, é claro!), Lobito voltou a ser um grande centro industrial... ou quase.
A poluição, como sempre, é mais do que muita e o ecossistema está a ressentir-se fortemente!
A vala do Kassai e o mangal do rio Catumbela (um género de estuário, de águas salobras e lodosas) são um enorme esgoto a céu aberto.
De forma muito mais reduzida do que há 40 anos atrás, ainda assim muitos pássaros afluem a este ambiente aquático.
Aparentemente em vias de extinção, um dos mais emblemáticos, o flamingo cor-de-rosa, teve direito a uma estatueta no meio da vala do Kassai, mesmo em frente aos estaleiros do porto...


Já do outro lado da baía, a vista da restinga estava magnífica!
Admito que este foi um dos locais em Angola que mais me marcou em termos de beleza.
Primeiro, porque o seu estado de conservação, não sendo perfeito, é de longe superior a tudo o que tinha visto até ali.
Depois, porque aquela luz... àquela hora... naquela época do ano, era soberba!



O casino Tamariz.
Um belo edifício do início do século passado, do melhor período português por terras de ultramar.
Trouxe-me à memória o meu tempo de Cascais. A praia do Tamariz, mesmo em frente ao casino do Estoril.
Bons tempos esses!...


As meninas do Tamariz.
Gostei do efeito do movimento. Tive que a deixar cá.


O local era bonito, mas a luz... ah, essa, era incrível, fantástica!
Não me canso de o afirmar.

Dois locais, acabados de sair das águas quentes do Atlântico.
(sim, por lá o Atlântico tem águas quentes ;-)


A minha menina em perfil, que às horas da escrita destas linhas estava novamente de volta a estas terras quentes (desta vez mesmo, mesmo, quentes, porque em Novembro é a época quente!)


Como é que se escolhe um WB na Nikon para cor-de-rosa?
Não há, pois não!?  ;-)
O céu estava mesmo assim, todo ele cor-de-rosa durante o pôr do sol.
Nunca tinha visto nada igual e não voltei a ver...




Qual o melhor enquadramento para um pôr-do-sol destes?



Desta vez não termino com o pôr-do-sol....
De Lobito, e depois de pousarmos as coisas no hotel, fomos ainda a Benguela jantar.
O restaurante escolhido foi um típico restaurante portuense. "Fininho" de seu nome, decoração azul e branca, com motivos do Douro e das pontes e... francezinhas.
Até a Benguela já chegou esta receita portuense.
Aqui fica o "morcão" agarrado a um belo exemplar!
:-))