10 novembro 2010

Angola - #4.1

O dia #4 começou bem cedo, de noite ainda, antes do sol começar a crepitar por entre as brumas cacimbais.
Pela frente tínhamos um percurso de 550 km, de Luanda a Benguela... por uma estrada angolana.
Uma... fantástica estrada angolana.

Sair de Luanda de manhã, a um dia de semana é... fantástico!
Aquele trânsito... fantástico permite médias... fantásticas!
Ok, já chega de fantásticos. Penoso é o termo correcto! 
Os candongueiros, o tal meio de transporte azul e branco, meio táxi, meio autocarro, vão parando em qualquer sítio, da maneira que mais lhes convêm. Daqui, não tenho qualquer dúvida, advém o grande problema de congestionamento de trânsito luandês.
Chega a ser caótico, de uma forma que não há superlativos suficientes para o adjectivar!
Eu já o tinha confirmado dois dias antes, mas neste dia até se foi andando... 
Mas há sempre uma compensação, caso assim o entenda: fui considerando que as paragens obrigatórias eram pontos de fotografia ;-)


O percurso inicial, depois de sair do centro de Luanda, compreendia um troço de estrada que já conhecia. Para estas longas tiradas as alternativas de estradas não são muitas e até Cabo Ledo voltamos a repetir a mesma estrada.
Desta vez não estava um tempo tão nublado e as fotografias "foram saindo".
Pormenores, imensos. Apetece estar permanentemente a disparar!
Mas estes pormenores, situações da vida local, não podem aparecer todos por aqui... Deixo alguns, sem ordem ou relevância maior.

Um "bicho" V8 a ser carregado em cima de um camião de uma forma nada ortodoxa (haverá alguma coisa ortodoxa em Angola?...)


Um triciclo chinês abandonado.
Marca: Keweseki. ;-))


Uma das muitas oficinas de sofás na beira da estrada, onde também "Faz-se chamada".


Se do outro lado da baía, na ilha do Mussulo (que não é bem uma ilha, mas uma restinga ou promontório de areia, que se forma a norte de todas as foz dos rios em Angola, como a de Luanda ou a de Lobito) é o paraíso dos imensos ricaços de Angola, Portugal... e afins, do lado do continente também "se faz uma perminha" no turismo, bem mais de baixo nível.

Conjuntos de "barraquinhas" todas juntas, que dá ideia serem para estacionamento coberto, mesmo junto à linha de praia.


Uma chaimite enterrada, e bem enterrada, junto à ponte sobre o rio kuanza.
Tinha reparado nela da vez anterior, mas aí estava um polícia sentado naquela cadeira branca.
Não arrisquei...


A paisagem plana e esverdeada da barra do kuanza.


À medida que se vai avançando, em direcção a sul, a paisagem começa a mudar.
De uma zona de embondeiros entra-se numa zona de uns cactos altos, com 5 ou 6 m de altura, de tronco despido, só com folhas nas extremidades.
Este, da foto, estava em flor. Vermelhas.


E se algumas zonas são florestadas, outras, nem por isso.
Há paisagens, sempre junto à costa, de quase deserto, apenas com erva rasteira... e alguns elementos dispersos e coloridos. Sucata, para ser mais preciso, como a da imagem seguinte.
Nas estradas angolanas basta haver uma curva um pouco mais apertada, ou uma lomba cega, para se ter um panorama destes, com 4 ou 5 carros e/ou camiões totalmente desfeitos e totalmente depenados. Só deixam as carcaças de ferro amolgado. Dá ideia que o ferro por lá está pouco valorizado...

Mas isto do ferro é só mesmo para distrair...
Circular por lá e ver estes destroços, às centenas, também dá para ir a pensar na facilidade com que a qualquer momento pode aparecer alguém de frente... e ficar-se já por ali.
Outros exemplos, mais pesados, num post já a seguir.


À passagem por Porto Amboim, e ao contrário do que normalmente se faz em grandes tiradas,desviámo-nos  e entramos na localidade.
Ao longe, mal se percebe a dimensão desta cidade.
Primeiro, o que chama a atenção é o mar. Estava sol e o azul contrastava forte com os amarelos das terras.
Depois de largas dezenas de quilómetros feitos pelo interior, as vistas são magníficas!


Mas a principal razão para não se perceber facilmente as dimensões desta, já grande, terra, são as próprias casas.
Na sua maioria são de terracota com os telhados de colmo. Como resultado, uma cor uniforme ao longo de quilómetros, que disfarça a enorme quantidade de construções...



Por lá também existem os "bairros comunitários", do projecto habitacional do governo.
Estão ainda em construção, embora parada (...), mas mesmo assim não destoam da paisagem.
Estes não são prédios altos, mas moradias de apenas um ou dois pisos.


A baixa desta cidade contrasta de forma muito significativa com a única cidade angolana que conhecia até então, Luanda.
A pacatez que aqui se vive é extraordinária e absolutamente inesperada, para mim.
Quase não se vê carros. Por aqui já começam a dominar as motos, chinesas, está claro, mas também as cabras, que se passeiam pelas ruas.



Na continuação da viagem para sul, e já fora da cidade, as pequenas aldeias, ou kimbos, como por lá se chamam, passam a dominar.
Distando entre si de alguns quilómetros, são constituídos por palhotas, às vezes pequenas, outras vezes grandes, normalmente com telhado de colmo.
Não estando habituado a estas paisagens o "dedo tremia"... ;-)



A cerca de meio da viagem (e mesmo a tempo da hora do almoço ;-) surge Sumbe.
(surge Sumbe é bonito! -))
Fica, para já, a vista à distância de mais esta localidade à beira-mar plantada. A continuação é já a seguir...

30 outubro 2010

Angola - #3

O terceiro dia por terras angolanas foi aproveitado para um contacto mais directo com a cidade de Luanda, a penantes.

Os dois primeiros dias, passados durante o fim-de-semana, tinham transmitido uma ideia de algum sossego no trânsito da cidade, que contrastava fortemente com a informação de um caos generalizado que se vive por estas terras.
Mas o despertar de segunda-feira revelou uma realidade distinta.
A praça 4 de Fevereiro, em frente ao porto de Luanda, estava atafulhada de carros e com um nível de ruído tal, que as janelas já algo desactualizadas do hotel não conseguia filtrar...

Pelo menos os carros prestavam um colorido diferente à nublada paisagem matinal da marginal, já registada nos dias anteriores.


Mas este não foi dia para a fotografia. As ruas de Luanda não convidam a esta "prática desportiva"!
Ainda saí com o saco da máquina à bandoleira, mas não arrisquei a tirá-la de dentro...
Logo à saída do hotel, junto à baía, há uma série de ministérios do governo. Fiquei rapidamente com a sensação que a atenção necessária para circular pelas ruas teria que "estar ao rubro" quando dois militares, voz grossa e autoritária, de AK47 em punho, mandaram-me "andar, sair daí, rápido!"
... e eu saí... ai não que não sais!....

Assim, apenas a primeira e a última deste conjunto de fotos são mesmo do terceiro dia. As restantes são já do quarto dia, em viajem, feitas do acolhedor interior do carro...



Parecendo que se está num estaleiro de obras, mas parado, para circular nas ruas é preciso um cirandar permanente por entre os carros estacionados à Lagardère, os buracos, os esgotos a céu aberto, os montes de entulho, ...

Por todo o lado se podem ver as "oficinas" de rua, onde repararam qualquer coisa.
Rodas, travões, eixos, motores, .... Tudo desmontado e espalhado pelo chão.
Com que ferramentas? Com que conhecimentos mecânicos?...
Se se diz que o povo português é campeão do desenrascanso, o que dizer então do povo angolano?



A população é jovem. Muito jovem!
A maioria das pessoas, trabalhadores, que se vê pelas ruas têm vintes... trintas.
A esperança de vida em Angola não chega aos 50 anos, mas em Luanda este valor não deve atingir os 40...
Não admira, dadas as condições de saúde que se podem observar.
Uma das coisas que me impressionou bastante neste dia foi ver pessoas a nadar na baía de Luanda, onde o cheiro a esgoto é quase insuportável...
Passa-se ao lado, passo rápido e... está visto!



Não deixa de ser confuso e caótico, mas depois de umas horas a circular começa a perceber-se que nem tudo é mau ou mal cheiroso.
Pelo contrário, há coisas muito interessantes, típicas de África. A maioria destas coisas já conhecia, da TV ou da net, mas assistir ao vivo é sempre diferente.
Os bebés às costas das mães, amarradas com um pano. As coloridas quitandeiras com os seus cestos à cabeça. As maçarocas de milho ou as bananas assadas na beira do passeios (aqui sim, que perfume!).
E aquele típico colorido, azul e branco, .. à Porto!, das Toyota Hiace que fazem o transporte de grande parte da população... num constante e "suave" ronronar.
Saiam da frente!
;-)


Dez minutos para as seis da tarde.
Hora de regressar a casa, mesmo a tempo para registar um pôr do sol diferente.
Vermelho, que se esconde nas brumas do cacimbo.



Há que descansar que amanhã é dia de acordar bem cedo, antes do nascer do sol, para uma longa viagem.... ao sul.

19 setembro 2010

Angola - #2.2

Após o almoço em Cabo Ledo o programa de festas previa a visita ao interior do Parque Nacional da Quissama. Ou da Quiçama. Ou...

Se a estrada de Luanda a Cabo Ledo é nova, em asfalto, e até se faz a bom ritmo, os 110 km até Muxima são em terra...
Mas não são de uma terra qualquer. São de laterite, a tal terra avermelhada que cobre imensas extensões angolanas. É constituída por uma grande percentagem de óxido de ferro, daí a sua característica cor ferrugenta!
Sendo praticamente improdutivo, este solo é utilizado essencialmente para tijolos e como tapete de estradas, depois de esmagado em gravilha e bem compactado.

Como eu não gosto nada de conduzir em terra (não !-), e o meu sogro até sabe disso, a condução deste troço ficou por minha conta.
Numa estrada construída por chineses, alguma da sinalização é um pouco estranha, principalmente a que se refere às bermas. Umas bermas abruptas e outras nem por isso. Umas altas e outras baixas.
Embora fossemos a brincar com os desenhos nas placas, esta informação sobre as bermas é muito importante. Nas rectas circula-se bem a 110 km/h, mas nas curvas... nem por isso.
É que o piso é deslizante e o carro nas curvas vai a fugir às quatro.
Mas sempre, sempre, controlado!... ;-)
Oh pra mim a olhar para a loooonga recta à minha frente...



Onde está o Wally?
Melhor: onde estão os primatas Miopithecus talapoin?
Ou... em português: onde estão os macacos?

Estão ali! ;-)


Fotografar estes pequenos macacos, os Talapoins, habitantes naturais da Quissama, não é fácil.
Primeiro, são mesmo pequenos (qualquer coisa como do tamanho de um gato grandinho) e depois fogem a sete pés dos carros e das pessoas.
Segundo informação oficial, além dos talapoins também existem no parque palancas vermelhas, mas destas... nenhum de nós as viu.

O macaco da foto de baixo é apenas um pontinho preto junto ao tronco mais largo da esquerda, na direcção do dedo indicador da Mónica (em cima).
Apanhei-o, com a minha 135 mm! ;-)


Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
 
Curioso, que este é o refrão de um poema que me está na cabeça desde a infância.
Cantado pelos Duo Ouro Negro, Muxima era uma música que passava muito nas rádios nos finais da década de 70.
(até onde já se estendem as minhas memórias... ;-)
O autor do poema, Carlos Aniceto Vieira Dias, escreveu-o em Kimbundo, mas muito embora os dois músicos a tenham reescrito em bilingue, com umas estrofes em português, não foi isso que me fez fixar mais alguma parte da letra... ;-)
Até agora, o que significava, ou o que era Muxima, passava-me totalmente ao lado.
 
O registo da entrada na localidade de Muxima, atravessando a sua rua principal, com o antigo forte ao fundo, no topo do morro.
 

Muxima é uma pequena localidade com uma população residente também ela baixíssima.
No entanto, sendo um actual local de peregrinação, Muxima cresce por alturas de Setembro.
Não vi por lá grandes (aliás, nem pequenas) condições de acolhimento, mas acredito que lá afluam umas largas centenas de crentes em Nossa Senhora.
Mas é claro que os crentes por lá não são como os de cá (e se calhar até são...).
Primeiro, o aspecto visual. Reparem nos trajes das três devotas da fotografia seguinte. 
Depois, a própria forma de devoção, muito anímica, que mais se assemelha a um ritual de camdomblé...

À entrada (ou melhor, à saída) da antiga fortaleza, esta fotografia também tem a sua história.
Depois de perceber que a maioria dos angolanos não gosta que lhe tirem fotografias, passei (quase sempre ;-) a pedir permissão antes de lhes apontar a lente.
Estas mulheres começaram logo por dizer que não, que não queriam que a imagem aparece em Luanda... Quando lhes disse que não era para Luanda, mas para Portugal, já permitiram e até sorriram.
Não percebi!...


Ao procurar informações sobre Muxima na web percebi que a origem e história desta localidade, fortaleza e igreja, não é consensual.
Alguns documentos apontam para que Muxima tivesse começado por ser um entreposto comercial de bens agrícolas e humanos. No século XVI o que estava a dar era o comércio deste "ouro negro" para as américas. Por essa altura, aquilo que existia por lá era mais uma prisão e acampamento das tropas portuguesas.
A fortaleza, na sua entrada, tem a data de 1655 e o nome do capitão Francisco de Navaes. Isto já é uma data posterior ao domínio de N'gola, durante 5 anos, pelos holandeses...

Mas o que mais gostei foram mesmo as vistas do alto do forte.
O vale do Kwanza mais parece um verde oásis, de floresta tropical.
Pena, mais uma vez, o dia não estar muito favorável ao registo fotográfico...
De notar, os três barcos de pescadores, que permitem ter uma noção de escala da imagem.


A origem da igreja da Nossa Senhora da Muxima também está envolta em mistério.
A tal peregrinação actual é devida a um culto popular de uma aparição de Nossa Senhora (da Conceição), que tem correspondência com a própria imagem do altar da igreja.
No entanto, e aparentemente, não há registos da sua construção, pelo que há autores que apontam até para uma origem holandesa. Não me parece (...)
Construída mesmo em frente ao forte, esse garantidamente de origem portuguesa, e junto ao rio, deverá ter sido construída pelos ocupantes portugueses, numa tentativa de subjugar a população ao culto católico e a uma atitude mais dócil e controlável.

Quando por lá passamos a azáfama no interior da igreja era muita.
A época das festas aproximava-se...


Cá fora, no átrio, bem na margem do grande e poderoso Kwanza, as gentes rezavam, conversavam e... brincavam.
Afinal, era domingo.
Estes meninos, ao contrário do que vinha a ser normal, aproximaram-se de mim e da câmara.
Com as suas fisgas, estes dois irmãos acertavam em tudo o que se movesse.
;-)


Estavamos em África, mas a imagem seguinte também podia ser em Portugal:
"Não deitar lixo", está escrito na placa, mas ninguém a entende ou quer entender.
:-)

Para o outro lado, mais para a esquerda, o registo da imagem (se tivesse sido feito) é que dificilmente poderia ter sido feito em Portugal.
Homens a tomar banho na margem do rio, com um total despudor.
Foi a primeira vez que tal vi e achei estranho. Mas rapidamente deixou de o ser...


Já de regresso, a passagem pela ponte militar que ainda vai permitindo a passagem do trânsito, enquanto a nova ponte de betão, construída pela empresa portuguesa Teixeira Duarte, não entra em funcionamento.
Não me parece que falte muito...


De regresso a Luanda e ao hotel Presidente.
Para lá chegarmos, mesmo à entrada da capital, passamos pela estrada mais ... espatafúrdia, mais ... que já vi. Sem descrição ou qualificação possível!
Já era de noite, sem iluminação, pelo que também não há qualquer registo fotográfico.
Voltamos a passar lá outro dia. Pode ser que haja mais qualquer coisinha...

Para fechar, fica o registo nocturno da praça 4 de Fevereiro e do porto de Luanda.
O dia tinha sido longo e só apetecia mesmo era descansar.
Xixi e cama. :-))

13 setembro 2010

Angola - #2.1

No segundo dia de viagem por Angola, sendo domingo, resolvemos fazer como os Luandenses "d'alta gama": fugir do stress da grande cidade.
Assim, dirigirmo-nos a sul, a um dos locais propícios para o efeito, Cabo Ledo.

Para chegar a horas, qualquer coisa como chegar lá para almoçar, saímos do hotel relativamente cedo, às 10h. Mesmo ao domingo o trânsito podia estar complicado, mas, felizmente, a saída da cidade fez-se a bom ritmo.
Seguindo pela marginal, depois da baía, aparece a Praia do Bispo.
Continuando a deixar para mais tarde um post mais dedicado aos hábitos e costumes da população, não consigo deixar passar dois exemplos da desordem de Luanda.
... o azul exagerado destas imagens ficou a dever-se a um pequíssimo, ligeiríssimo, esquecimento ;-(...) combinado com o cacimbo, a tal neblina matinal que só desaparece por volta das onze, meio dia.
Ainda assim, o lodo e os detritos estão lá, bem visíveis, num dos locais mais aprazíveis da antiga capital.



Dos 120 quilómetros de estrada até Cabo Ledo, os primeiros 20 a 30 são feitos por entre milhares de pessoas, que emergem dos seus bairros de lata, ou musseques, como por lá se chamam.
Qualquer coisa serve para vender à beira da estrada, desde um simples cacho de bananas, a uma (sim, uma) garrafa de água, ou uma garrafa de 1,5l de gasóleo.
Os mercados assim formados chegam a ser fascinantes, com todas as suas cores e movimento.
O "dedo" a querer fotografar tudo. Todos os pequenos pormenores.
Mas à medida que se vai passando é melhor não pensar muito nas condições em que estas gentes vivem...



Depois dos tais cerca de 30 km a paisagem muda radicalmente.
Em vez de casas de tijolo de cimento e telhados de zinco passa a ver-se cactos, embondeiros e terra vermelha.
Pena o dia nublado que se fez sentir (a previsão que tinha visto na net dava mesmo chuva para este dia...), a impôr um horizonte demasiado curto.
Na fotografia seguinte, ao longe, a definir a baía da Corimba, avistava-se a ilha do Mussulo: o parque de férias do pessoal endinheirado e, também, por aquilo que percebi ao ler umas coisas em vários sites, destino de férias de alguns portugueses.


Começava também a avistar-se os primeiros quimbos ( aldeias antigas, da população africana pré-colonização), de madeira ou tijolo de adobe, com telhados de palha seca.


A cerca de 3 km da linha de costa e já muito próximo do meio da viagem, aparece um desvio para o Miradouro da Lua.
É uma das paisagens naturais mais arrebatadoras que se pode encontrar por Angola.
A erosão da arriba, composta por diferentes tipos de solo, cria umas formações próximas das estalagmites, esteticamente muito curiosas. Estas agulhas apontadas para o céu prolongam-se por quilómetros e quilómetros, até perder de vista.
Em cima, o vermelho predomina. A meio, um material que, devendo ser sal, cristaliza os topos destas torres. Em baixo, estendendo-se até ao mar, a terra amarela acumulada em dunas e crateras dá-lhe um aspecto de paisagem lunar.
As vistas aqui são tão largas que as fotografias não conseguem transmitir a verdadeira dimensão do que por lá se observa.
Fica a tentativa...



A portagem da ponte sobre o rio Cuanza.
Ou Quanza? Ou Kwanza? Ou...
É verdade, a língua portuguesa é muito traiçoeira, mas quando misturada com África... é para esquecer!
Se a moeda angolana tem o nome do maior rio que nasce e desagua em Angola, e está escrito "Kwanza" nas notas, porque é que na tabuleta à passagem sobre o rio tem escrito "Cuanza"?
E ainda há quem esteja contra a uniformização da nossa língua...

Ah, a portagem, dizia eu. A única do país, para a ponte que atravessa a barra do rio.
Mas será pela ponte ou pela entrada no Parque Nacional da Quissama?
E será Quissama ou Kissama?... ou Quiçama? ou...
:-)

Deixo o parque da Quissama para mais tarde e chego directamente às praias de Cabo Ledo.

Quando estou a escrever estes "verdadeiros documentários" costumo sempre investigar sobre os vários locais por onde passei e Cabo Ledo é um dos locais com menos consenso que já vi.
Se por um lado é nitidamente um belo sítio para descansar e passar um fim-de-semana à beira-mar, por outro, há quem não compreenda esta maravilha:
É difícil de lá chegar, por uma das mais perigosas estradas por onde andei (até então...); os últimos quilómetros são feitos em picada de terra; para entrar na zona dos restaurantes só pagando; é preciso esperar quase duas horas pela refeição; para o outro lado dos restaurantes tem os tabuleiros dos mal-cheirosos peixes a secar... Enfim!
Mas quando lá se chega... ah, que maravilha!
A fresca da Cuca na mesa, acompanhada pelos belos dos amendoins e, já agora, por boa companhia.
Esquece-se tudo o resto!



A calma reinava.
Sendo "inverno" estava "frio". Pelo menos assim nos era dito.
Neste dia estava mesmo nublado, o que não permitiu, durante todo o dia,  que o sol aparecesse, mas, para nós, não estava frio.
24 ºC não é, nem nunca será, frio! ;-)
Como o sol, os surfistas de Cabo Ledo não apareceram, deixando os guarda-sóis à deriva...


Termino esta "metade" do dia, o #2.1, com as mini-damas.
Cinco meninas que brincavam tranquilamente na praia e que atraíram de sobremaneira o olhar da lente, talvez pelo efeito colorido e animado que prestavam àquele ambiente.
Por esta altura já tinha percebido o quão difícil era de tirar fotografias aos locais, mesmo a crianças, por isso aproveitei a oportunidade.
;-)