14 setembro 2008

Azores 2008 - 8

Estava na hora de mudar de poiso. De mudar de ilha.
As paisagens micaelenses iriam dar passagem às terceirenses.
Uma das últimas fotos que tirei em São Miguel foi, do hotel, à Ermida da Mãe de Deus.


Mudar de lugar a meio do período de férias é uma coisa que comecei a fazer há muito tempo. Parece que no mesmo período há "duas férias", o que é sempre interessante ;-)
No entanto, uma mudança de ilhas implica uma logística complicada, nomeadamente pela viagem de avião, que é uma coisa que não gosto.
Não por ter medo de voar, mas pela "confusão" que é voar. É preciso ter tudo pronto bem cedo, estar no areoporto bem cedo, para... esperar, aguardar e ... desesperar.
Não foram as 3 horas e meia de atraso da viagem Porto - Ponta Delgada, mas não andou muito longe. Mais uma vez o avião ficou retido algures. E explicações ou desculpas são coisas que o pessoal dos aeroportos não conhece...
E depois há ainda a viagem em si. Se até acho piada à partida (já achei mais...) pela aceleração que um "bicho" daqueles (mesmo o turbo-hélice desta viagem) consegue ter, o desconforto dos aviões é demasiado grande para o meu gosto, principalmente devido ao ruído acústico.


Mas os períodos menos bons de uma viagem de férias são rapidamente esquecidos, especialmente quando se chega a um lugar como Angra do Heroísmo, ou mais especificamente ao Cais da Silveira, onde fica localizado o Hotel do Caracol.
A vista da varanda era soberba, mesmo sendo uma das piores colocadas para o efeito...


No resto do dia aproveitamos a paisagem junto às piscinas.
Bem, não só a paisagem como as piscinas também ;-)

E nunca digas que estás muito longe de casa.
Não é que encontramos por ali dois casais amigos, que estavam lá também de férias e independentes um do outro?
Este Portugal é tão pequenino ;-)


Depois de um jantar num dos restaurantes mais típicos (será melhor dizer turísticos?) de Angra, a Adega Lusitânia, voltamos ao nosso quarto.
O descanso, depois de mais um longo dia, era merecido.

10 setembro 2008

Azores 2008 - 7

O sétimo dia foi, essencialmente, um dia molhado.
Não, não choveu... pelo contrário ;-)
Aproveitamos o dia para (tentar) relaxar um pouco mais junto às piscinas.


A piscina do hotel tinha um conceito interessante: parte dela era interior, parte exterior, dividida por uma porta de correr, em vidro.
Como a piscina "baixinha" era no interior foi mesmo lá que passamos a maior parte da manhã.


Para a tarde resolvemos conhecer as piscinas que ficavam junto à marina.
Claro que pelo meio ficava o almoço e mais uma voltinha por Ponta Delgada.


O complexo de piscinas fica precisamente entre a marina e as "Portas do Mar". É constituído por um conjunto de 4 piscinas de água salobra e, "cá fora", por uma de mar.
Admito que a piscina de mar me atraiu mais mas, não deu para lá ficarmos... Não havia uma "pouco profunda" para as crianças.


Uma amostra do espectáculo. A posição horizontal traz-me algumas recordações encarnadas à memória... :-)
... Achei por bem não colocar aqui nenhuma fotografia dos saltos da plataforma de 3 m, imagine-se porquê ;-)


A zona marítima de Ponta Delgada ao final da tarde é, sem dúvida, muito bonita.
A luz quente, o azul do mar, o negro da pedra...


E os tons do crepúsculo deixam-na com um ar misterioso...


O dia acabou com um espectáculo de danças, cantares e trajes tradicionais, no lobby do hotel.
Todos os dias o The Lynce apresentava uma pequena exposição de produtos de artesanato local, mas neste havia um complemento, que apreciámos bastante.

05 setembro 2008

Azores 2008 - 6

O dia começou cedo. Antes das 7 já estava acordado e... com a máquina na mão.
O resultado, no entanto, deixa a desejar. Tirar fotos através de vidros sujos de hotel não é a melhor opção...


O objectivo: observação de cetáceos.
Os Açores estão localizados precisamente numa rota de passagem de vários cetáceos, nomeadamente, baleias e golfinhos, e daí se poder ver diferentes tipos destes mamíferos.
Fiquei a saber, logo no briefing inicial, que os cetáceos se podem dividir em dois grandes tipos: os "de barba" e os "com dentes". Que as grandes baleias são todas "de barba" e que os golfinhos, ou o cachalote, têm dentes. Mais ainda, que a orca, também conhecida por "baleia assassina", não é uma baleia mas antes um golfinho.


Todos equipados a rigor, com lindos e vistosos coletes fluorescentes, lá partimos nós em potentes e rápidas lanchas, com 12 passageiros e 2 tripulantes (o skipper e o ... marinheiro de segunda(? :-)
Na mesma altura, e do mesmo sítio, largaram 3 lanchas, todas com as mesmas indicações.


As indicações são transmitidas por rádio de um posto de observação, localizado algures na costa da ilha. Duas pessoas, utilizando potentes binóculos, conseguem avistar a distâncias "absurdas" os animais e depois avisar as tripulações que, embora de empresas diferentes, funcionam em equipa.
Assim, lá fomos nós, direcção sudoeste, em alto gás (embora das três lanchas fossemos a mais lenta, presumo que por transportarmos crianças a bordo...).
Andamos, andamos, até um ponto que me pareceu estar qualquer coisa entre os 10 e os 15 km da costa.
Longe... como dá para ver pela foto.


Só que chegamos lá e ... nada.
Supostamente andariam por lá um cachalotes, mas não se via nada.
Lá demos meia volta para voltar em direcção a Ponta Delgada.


Muito mais perto da costa, sensivelmente em frente a Relva, fizemos as primeiras "avistagens".
Golfinhos. Mais especificamente Golfinhos Comuns (Delphinus Delphis).
Segundo nos disseram, um grupo local, que não viaja para muito longe daquelas águas.
(a um grupo de golfinhos será que se pode chamar de cardume?)


Não sei quantos eram, mas era uma família numerosa, com algumas dezenas de elementos.
É muito engraçado vê-los a acompanhar o barco. Algumas crias pequenas a acompanhar as mães e a saltar ao seu lado.
Mais uma experiência muito interessante, que aconselho vivamente a quem visitar os Açores.


Depois de seguirmos o grupo durante uns largos minutos, o skipper sugeriu-nos uma passagem junto à costa, antes de voltarmos ao porto.
Grandes arribas, compostas de várias fases de evacuações vulcânicas (eu é que percebo disto ;-), formavam uma paigagem marítima fantástica.
Mais ainda eram as pequenas casas, construídas junto ao mar, em locais praticamente inacessíveis.
"Só a pé ou de burro lá se chega", disseram os nossos "surfistas marinheiros" :-)
"Mas é um sítio óptimo para um fim-de-semana de descanso, pesca submarina, ou de copos com os amigos", garantiram-nos.


O passeio estava no final.
De volta ao porto de Ponta Delgada, apinhado de veleiros, lanchas, cruzeiros, cargueiros e até um barco da marinha americana.


Neste dia voltamos, pela terceira vez, a um mesmo restaurante, o "44".
A este restaurante tinha que fazer referência pois ficamos a gostar muito, quer do menu, quer do pessoal, incrivelmente atenciosos e simpáticos para com as crianças.
Para variar, comemos sempre peixe. Fresquíssimo. Grelhado.
E para aliviar um pouco o tempo de espera da grelha, nada como um "pé de torresmo" acompanhado por um Curral Atlântis (tinto ou branco, embora tenha preferido o tinto) da ilha do Pico (mas que fiquei a saber que é só parte, pois a maioria vem mesmo do continente...)

03 setembro 2008

Azores 2008 - 5

Este foi o segundo dia com o Clio e em que decidimos partir à descoberta da zona leste da ilha, numa volta consideravalmente maior do que a do dia anterior.

O primeiro ponto principal a explorar seria a Lagoa do Fogo.
Basicamente, há duas maneiras de lá chegar: pela via rápida até Ribeira Grande, como tínhamos feito dois dias antes, no autocarro, ou seguindo até Lagoa e depois apanhando uma "estrada principal" (segundo o mapa) também até Ribeira Grande mas passando por Remédios e por um miradouro sobre a lagoa.
Optamos pela segunda hipótese, mais interessante, à partida. Mas rapidamente começaram os problemas de navegação...
O mapa que tínhamos não tinha escala e a sinalização rodoviária local é muito deficiente. As indicações resumem-se apenas às "grandes" localidades, o que para escolher uma entre várias opções... não serve de nada.
Depois de sair em Lagoa virei para norte na estrada, pensei eu, que tinha escolhido. Só que a "estrada principal" rapidamente passou a terra batida... Ainda assim resolvi seguir (mesmo com uns pneus da frente a roçar a ilegalidade...)
E não é que a primeira sinalização que apararece indica uma localidade na costa norte, mas para oeste de Ribeira Grande (Rabo de Peixe)... Como é que é possível?? Claramente não estávamos onde devíamos estar.
Bom, depois de uns recuos e retrocessos (...), lá voltamos à via rápida. Pelo menos ali não nos perderíamos !-)


Na subida da encosta para a Lagoa do Fogo demos com mais um ponto de (grande) interesse: o "Monumento Natural Regional" de Caldeira Velha.
O acesso, pedestre, aos pontos principais, a caldeira e a cascata, é feito por uma verdadeira vereda tropical (esta fez-me lembrar da última telenovela que vi, há centenas de anos... :-)


A água, que para não variar, é extremamente férrea, deixando as paredes e caminhos totalmente vermelhos o que, em contraste com o verde da vegetação, provoca um constraste de cor muito interessante.
A imagem (que se tivesse sido tirada de uma posição mais elevada teria concerteza outro efeito...) é muito romântica: um casal de namorados a abraçarem-se debaixo da cachoeira, num cenário perfeitamente idílico...


E de uma forma semelhante ao que tinha acontecido na Lagoa das Furnas, a do Fogo estava coberta por um espesso manto de núvens.
Como já estávamos alertados, resolvemos esperar um pouco, a "ver o que dá"!
Dois minutos depois, a esperada abertura.
Et voilá, a magnífica lagoa de águas claras aos nossos pés :-)


Voltamos a descer pela mesma estrada (a alternativa era um caminho de terra pouco recomendado à viatura (ah, saudades do Pinin... ;-)
A direcção agora era Nordeste, pela estrada marginal à costa norte.
Distância, ninguém sabe, mas iria ser demorado! A quantidade de curvas assim o fazia prever. Os miúdos a dormir e a hora de almoço a chegar...
O único ponto de paragem intermédio foi algures entre Algarvia e Santo António, numa ribeira com cascata. Tudo muito arranjadinho, num jardim à beira estrada!


Nordeste é uma vila muito interessante.
Muito afastada e com maus acessos desde ponta delgada, é no entanto uma localidade muito agradável, que vale bem a visita.
Notou-se ainda que está muito menos virada para o turismo, durante o almoço. Fomos ao, aparentemente, único restaurante de dimensões razoáveis (dará para uma 40 pessoas?) mas que às 14:30 estava pronto a fechar. Fomos os últimos clientes a ser servidos e quando saímos tivemos que destrancar a porta...
No entanto, o peixe, mais uma vez, estava impecável !-)


E foi em Nordeste que fotografei o pássaro que dá o nome ao arquipélogo: o Milhafre.
É verdade!
Segundo as histórias que por lá ouvimos, os exploradores que nomearam as ilhas ter-se-ão enganado no pássaro. Muito parecidos, o Milhafre e o Açor, confundiram os navegadores (que deviam perceber mais de pássaros marítimos... ;-)
Mas esta confusão encaixa perfeitamente na restante história. É que ninguém sabe ao certo quem é que descobriu os Açores, nem em que ano...


De partida, resolvemos tomar a estrada interior, alternando com a marginal que tínhamos utilizado até ali.
E por tudo o que vi, a escolha não podia ter sido mais acertada.
Para começar, entramos novamente numa estrada de terra batida, sem sinalização, que começava a subir. Embora sentisse que estava na estrada correcta, a dúvida instalou-se. Para confirmar, parei junto da primeira pessoa que vi: um agricultor, a já uns bons 5 km de distância de Nordeste. Era mesmo por ali.
Mas mesmo que não fosse, as vistas estavam a compensar o possível engano!


Entramos na Serra da Tronqueira, onde fomos encontrar a "Reserva de Protecção Especial do Pico da Vara / Ribeira do Guilherme".
E eu que não sabia que o Guilherme tinha uma ribeira :-)


Fiquei a achar que esta era uma das zonas mais bonitas de São Miguel.
A Laurissilva é simplesmente incrível e o Pico da Vara soberbo, com a sua paisagem monumental!


Quando chegamos ao asfalto parecia que tínhamos chegado à civilização. É que depois de viajar por entre estreitos "desfiladeiros" de 30 m de profundidade (por entre aquelas ávores altíssimas e muito juntas) ou junto a vertentes com cerca de 100 m de altura, o asfalto trás algum conforto.
(algumas situações passam a ser vistas de outra perspectiva a partir do momento que se tem dois nicos a viajar connosco...)


Um facto curioso que constatei nos Açores é relativo aos nomes das suas localidades:
Ribeira Grande porque... lá existia uma...
Água de Pau porque... a água da ribeira estava a sair de um tronco oco.
Água de Alto porque... existe lá uma alta queda de água.
Vila Franca do Campo porque... na vila franca (que não tem alfandega) foram plantados muitos campos (é uma zona muito plana, relativamente ao resto).
Nordeste porque fica... imagine-se...
Povoação porque...
:-)


E assim chegamos nós a... Povoação.
Embora bonita, a larga ribeira a passar pelo meio da localidade trouxe-me à memória a tragédia que ocorreu numa outra aldeia açoreana, há cerca de 3 anos (?), onde as enchentes e deslizamentos de terras arrastaram várias casas para o mar...


E, nesta situação de denominações de localidades e lugares, onde mais é que poderíamos parar para fazer a merecida praia ao final da tarde?
Em Praia, concerteza ;-)
Uma vez mais, uma "areia morena" que se cola ao corpo.
Foi difícil de arrastar de lá os nicos sem trazer junto dois quilos de lama ;-)