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31 janeiro 2012

Caminhada Vitoriosa

Há coisas para as quais não há explicação!
(grande início este, não?!! ;-)

De facto, depois de atravessar por dezenas de vezes, durante anos, as terras de Aguiar de Sousa, fiquei surpreso quando me disseram que "por ali" existia um castelo.
Como era possível nunca ter reparado? Sem explicação!

Para resolver este verdadeiro enigma, no passado sábado resolvi integrar um grupo "espiritualmente vimaranense", que se dispunha a realizar uma caminhada para descobrir o castelo. Uma caminhada organizada por Luís Botelho Ribeiro, também conhecido, entre outros, como "espírito de Guimarães", que reunia um conjunto de 12 pessoas, todas cheias de vontade de andar pelo meio do monte.
À hora marcada para o encontro lá estava eu, preparado. Não era o único, mas quase. É o que dá (deve ser isso!) sermos todos, ou quase todos, académicos.
Há que respeitar o bendito quarto-de-hora! ;-)

Com início bem no centro de Aguiar de Sousa, junto à igreja de São Sebastião, o objectivo seria circular em torno desta aldeia histórica, integrada na Rota do Românico, pelas cristas das serras de Pias e dos Castiçais, descendo ao castelo (um castelo... em baixo?)



Num dia bem fresco de inverno, mas de muita luz, lá partimos nós, à descoberta do castelo tomado pelo "Almançor".
Muhammad Ibn Abdullah Ibn Abi Amir, Al-Hajib Al-Mansur, o "Almançor", ou o "Vitorioso", um dos mouros que no final do século X, início de XI, percorreu e conquistou cerca de metade da península ibérica.
A nossa história é extremamente rica de acontecimentos, de conquistas e reconquistas. Por tanto já se passou, que os vestígios de grande parte destas histórias já praticamente se desvaneceram. Se esfumaram.
Mas há que os desenterrar, de os procurar, pelos recantos mais altos ou pelos mais profundos!
De carta na mão, aí vamos...



Conquistar estas terras não deve ter sido fácil!
Se as percorrer, apenas de mochilinha às costas e de roupa e calçado confortável, já é difícil, o que dizer daquelas gentes do antigamente que tinham que carregar/arrastar tudo atrás?
Não deve ter sido nada, mas nada, fácil!...



Armados de paus e bastões lá caminhávamos nós (sempre podia aparecer algum mouro atrás de uma árvore!! ;-), seguindo a nossa rota.
Para mim aqueles caminhos não eram desconhecidos, pois de bicicleta, de moto ou de carro já os tinha trilhado.
Mas para a maioria eram uma surpresa.
As paisagens, permitidas pelo brilhante dia de sol, sem nevoeiros ou neblinas, alongavam-se à distância de quilómetros.
Para um lado estendia-se o casario do Porto e o azul do Atlântico. Para o outro, os picos das serras do Marão, Montemuro e até do Gerês. Lá longe.....
Mas sempre com Aguiar ali ao pé, a meia encosta.



Mas se a paisagem não era novidade, o que para mim foi a maior surpresa foi encontrar o Osvaldo Garcia, praticamente no alto das Pias, de "barraca armada", a vender bebidas aos passeantes.
Para ele, é um nicho de negócio que começou a experimentar recentemente.
As dezenas, por vezes centenas, de bicicleteiros e motoqueiros que por lá passam durante o fim-de-semana justificam o trabalho e sempre dá para distrair.
Quem diria que seria possível beber uma cerveja fresquinha no meio do monte durante uma caminhada?
Bem hajas Osvaldo!




Mas se o Osvaldo foi a surpresa, o cansaço da caminhada não!
Será por isso que passei a gostar tanto de rolar com o Pajero Pinin ou com a Transalp pelo monte?
Não!... de bicicleta cansa mais, muito mais, e também gosto.
Mas aqui o cansaço é diferente. Os músculos que actuam ao andar são distintos daqueles que actuam ao rolar de bicicleta.
E eram estes músculos estranhos, aqueles que "nem sabia que existiam" ;-), que passaram a querer revelar-se...
Nada de muito especial, mas admito que no final dos 13 km de sobe-e-desce estava cansado.



No último terço da caminhada, finalmente, saímos da zona dos eucaliptos... ou quase.
A exploração intensiva desta árvore no nosso território pode ser interessante economicamente, mas é muito triste em todos os outros sentidos. O monte lavrado e a inexistência praticamente total de outras espécies tornam os nossos montes feios, quando podiam ser magníficos.
Quando chegamos ao vale do Sousa, "lá em baixo", outros tons se revelaram.
Tons invernais, que pareciam aquecer a paisagem.




Já cheirava a rio.
Com cerca de 10 km nas pernas, o grupo alongava-se cada vez mais. As paragens para reunião tornavam-se cada vez mais demoradas.
Quando chegamos à estrada colocou-se mesmo a dúvida: será que vale a pena continuar à procura do castelo?
... para mim, que tinha lá ido para o encontrar, nem sonhava agora em desistir.
Claro que sim, continuemos!



Na realidade, o que existe não é bem um castelo...
Aliás, como está indicado na própria placa de indicação do monumento, o que visitamos, e o que existe actualmente, é apenas a torre de menagem, que não é mais do que uma pequena divisão quadrada, de muralhas de pedra amontoada, com uma entrada e sem telhado.
Colocada estrategicamente num morro em forma de cone, a torre está rodeada pelo rio em mais de metade da sua base, o que lhe permitia uma defesa facilitada da entrada sul do vale de Aguiar.
No entanto, o Almançor por ali passou no ano de 995... e não me parece que tenha tido grandes dificuldades em derrubar qualquer sistema defensivo que ali tenha existido.
... Afonso Henriques ainda não tinha nascido, se não havias de ver, ó Muhammad! ;-)



  

Havia ainda que subir até à aldeia.
Os corpos pediam a recompensa de todo este esforço físico, recompensa essa baseada na gastronomia local  ;-)  ...
... mas afinal ainda havia mais qualquer coisa para ver.
Junto ao rio existem vários moinhos de água e assim, em vez que continuarmos pelo caminho mais fácil, fizemos um desvio para os visitar.
Zona interessante esta, aproveitada para fins turísticos. Além dos moinhos, percebe-se a existência de umas casas de turismo, com muito boas condições e arranjadinhas. Algo a explorar.
A saída de lá... é que não tem grandes condições. Decididos a fazer o caminho mais directo, entramos em corta-mato, numa subida radical.
Enfim, nada como um aperitivo extra antes do repasto. :-)



Retornamos ao ponto de partida precisamente à hora em que combinámos com a senhora do restaurante para nos servir o arroz de cabidela, às 5 da tarde.
É claro que a essa hora ainda não estava pronto (desta vez tivemos que esperar mais do que o tradicional "quarto de hora") mas nos entretantos fomo-nos "distraindo" com um chouricinho, pão e um copo de vinho local, americano (há anos que não bebia vinho deste!).
Mas não só. O Luís Botelho não se fez rogado e presenteou-nos logo ali, na varanda do tasco, ao pôr do sol, com umas guitarradas.
Muito bom!



Para terminar um dia muito bem passado, o lanche-ajantarado decorreu muito bem disposto.
O franguinho deu alguma luta. Afinal, tinha resistido ao Almançor mas não resistiu aos esfomeados exploradores dos seus trilhos.
E com uns fadinhos bem, muito bem!, afinados ;-) demos por finalizada a refeição.


Gostei da experiência. Ficou o bichinho.
Quem sabe se não é para repetir num futuro próximo, agora pelos montes de Valongo?
Quem sabe!...

E aqui fica, para os mais curiosos, o trilho efectuado.

23 janeiro 2012

A torre do ti'Manel

Para não deixar o primeiro mês de 2012 a seco, aqui fica a minha tentativa de registo daquele que é, provavelmente, o motivo mais fotografado na nossa praça, a torre de Belém, em Lisboa.
Pela primeira vez entrei para uma visita.

O monumento nacional, ícon lisboeta, uma das Sete maravilhas de Portugal e património da Unesco, aqui em tons de final de um dia incrível, de sol e de final de ano.













20 agosto 2011

Angola - #6.5

(depois de ter iniciado este post há quase 4 meses - sim, quatro - finalmente a publicação)

Não, não Virei. Podia, mas não Virei.
Não Virei à direita, nem Virei à esquerda.

O objectivo era chegar a Lubango e o caminho a seguir era em frente.
Curiosidades no meio do deserto... ;-)


Outra curiosidade desta estrada, surpreendente até, foi o comportamento dos camionistas.
Se nos dias anteriores, e devido à enorme, imensa, quantidade de camiões acidentados na beira da estrada, tinha ficado com a impressão de que seriam todos condutores "da pior estirpe", nesta viagem percebi que talvez não fosse tanto assim...

Na imagem seguinte, um camião de carga aparece com os rodados esquerdos para lá da linha contínua.
Pode parecer à primeira vista uma coisa errada, mas até nem o é.
Foi feito propositadamente pelo condutor de forma a evitar um problema com consequências normalmente desastrosas: a ultrapassagem em sítios perigosos.
Logo à frente, no cimo daquela pequena colina, havia uma curva apertada à esquerda e o camionista, nem que eu quisesse, não me deixava ultrapassar.
Mal passamos a curva, voltou "à mão" e deixou-nos passar.
Mas este era um dos bons!...



Meia dúzia de quilómetros à frente voltei a mudar radicalmente de ideias...
Numa curva à direita e, felizmente, com (alguma) visibilidade, aparece-nos de frente um camião... a ultrapassar outro.
Bloqueio de rodas, grande atravessadela, muito fumo,... e lá passamos, bem adrenalinizados e bem encostadinhos à berma...
Uma aventura contínua estas estradas!

Mas tudo isto passa ao lado da população local.
A calma reina por estas bandas.
Qual Alentejo, embora não tão quente nesta altura do ano, por Renato Grade há que procurar o "chaparro" mais próximo!



Ah, a cultura!
As visíveis e abissais diferenças de cultura que nos transportam para além da Taprobana.
O trajar e viver do povo himba são completa e totalmente diferentes dos nossos.
Aliás, são completa e totalmente diferentes da maioria da população angolana, que actualmente se concentra em torno das principais cidades.



Mas também temos a cultura à venda, na beira da estrada.
Estávamos já perto da Leba... ao quilómetro 121 depois de Namibe, para ser mais preciso ;-)
O batuque é, aparentemente, o que está com maior saída.
Mas estas coisas não me dizem nada...
Do outro lado da estrada havia fruta. A pequena e super-doce banana ouro, ou banana macaco, é a minha preferida.



A escalada da serra é tão ou mais espectacular que a descida.
Aquela parede de 1 km de altura, que se começa a avistar à distância, impressiona qualquer um!...




Chegamos a Lubango ainda cedo, por volta do meio da tarde, mas o passeio do dia ainda não tinha terminado.
Havia que ir conhecer um dos pontos mais altos da viagem...
Tínhamos que passar bem perto da cidade e aproveitei para registar o casario, com o Cristo Rei "lá em cima", quase no topo da serra da Chela (a 2100 m quase não se percebe...), a reger as tropas.



Mas alto, alto, é a Tundavala.
Lá de cima, dos seus 2250 m tem-se uma vista que se proloooonga.
Parece que estou constantamente a repetir-me, mas é mesmo assim: as escalas aqui são absolutamente... fora da escala.
Basicamente, a Tunda...vala é uma estreita fenda da parede (granítica?), que se prolonga até à base.
Estreita... que é como quem diz!...
A fotografia seguinte talvez transmita um pouco da escala da coisa: ao centro da imagem está um pontinho azul, a camisa de uma pessoa...



A vista contrária, da localização do tal pontinho azul.
Daqui já se vê para baixo... lá em baixo... Mais de 1 km em baixo.
Impressionante, mas só para quem lá está. As fotografias não o transmitem!...



Escala de gigantes.
E para isso, nada melhor do que chamar um verdadeiro gigante.
Eu, em tamanho grande!
:-))



Até lá baixo... e mais além!
Pena o fumo das muitas queimadas da época... pois podia ser ainda mais além.